quinta-feira, 30 de junho de 2011

Mitologia Árabe


A mitologia persa é a reunião de crenças e práticas do povo que habitava o Planalto do Irã e suas imediações, como áreas da Ásia Central do Mar Negro ao Hotan (a moderna Hetian, China) e tinha origens linguísticas e culturais comuns. Sua essência é a da existência de dois princípios básicos em guerra entre si. Suas fontes estão no Zoroastrismo e no Masdeísmo.


Características

A principal coletânea da mitologia persa é o Shahnameh, de Ferdowsi, escrito mil anos atrás. A obra de Ferdowsi tem por base as histórias e personagens do Zoroastrismo e do Masdeísmo, não apenas o Avesta, mas, também, o Bundahishn e o Denkard.

Relevo em Tous representando histórias do shahnameh.

A mitologia persa é, ao mesmo tempo, muito próxima e diferente da mitologia hindu. Elas são próximas, porque os iranianos são um povo indo-europeu cuja língua tem grande semelhança com o sânscrito e foram um povo que estabeleceu constantes relações com os arianos da Índia. E são diferentes, pois a religião dos antigos persas adquiriu um aspecto mais moral que mitológico.

Contexto religioso
Bandeja de bronze do Pérsia Parta com o desenho de um Pégaso
("Pegaz" em persa). Escavado em Masjed Soleiman.

Os personagens da mitologia persa podem, em sua maioria, ser classificados em dois tipos: os bons e os maus.

Isso espelha o antigo conflito, baseado no conceito do zoroastrismo, da dupla origem em Ahura Mazda (em avéstico, ou Ormuzd em persa tardio). Spenta Mainyu é a fonte da luz, da fertilidade e das energias construtivas, enquanto Angra Mainyu (ou Ahriman em persa) é a fonte da escuridão, da destruição, da esterilidade e da morte.

Ormuzd é o mestre e criador do mundo. Ele é soberano, onisciente, deus da ordem. O Sol é seu olho, o céu suas vestes bordadas de estrelas. Atar, o relâmpago, é seu cílio. Apô, as águas, são suas esposas. Ahura Mazda é o criador de outras sete divindades supremas, os Amesha Spenta, que reinam, cada um, sobre uma parte da criação e que parecem ser desdobramentos de Ahura Mazda.

Sob Ahura Mazda e os seis Amesha Spenta, a mitologia persa coloca como divindades benéficas: "Mitra", o mestre do espaço livre; Tistrya, o deus das trovoadas; Verethraghna, o deus da vitória; ela admitia, além disso, um grande número de deuses do mesmo elemento, os Izeds.

Assim como Ahura Mazda estava cercado por seis Amesha Spenta e de outras divindades, Angra Mainyu (Ahriman) — o deus malfazejo que invade a criação para perturbar a ordem e que é concebido como uma serpente — é acompanhado de seis demônios procedentes das trevas cósmicas e de um grande número de outras divindades malignas.

Além disso, Angra Mainyu, epítome do mal no Zoroastrismo, perdeu sua identidade zoroastrista e masdeísta original na posterior literatura persa, sendo, finalmente, descrito como um Dev. Representações religiosas de Angra Mainyu posteriores a conquista islâmica, mostram-no como um gigante com o corpo manchado e dois chifres.

Os Devs (avéstico, persa: div), significando celestial ou radiante, são muito comuns na mitologia persa. Estes seres eram adorados no Zoroastrismo, anterior à difusão do Masdeísmo na Pérsia, e como nas religiões védicas, os adeptos do zoroastrismo consideravam os devs seres sagrados. Somente após a reforma religiosa de Zaratustra, o termo dev foi associado com demônios. Mesmo assim, os Persas que habitavam a região ao sul do Mar Cáspio continuaram a adorar os devs e resistiram à pressão para aceitar o Zoroastrismo, e as lendas em torno dos devs sobreviveram até os dias atuais. Por exemplo, a lenda do Dev-e Sepid (Dev branco), de Mazandaran.

Mitos

O mito mais importante da religião persa é o da disputa entre Ahura Mazda e Ahriman, que consiste na luta de dois tipos de seres divinos. Esta luta nos aparece sob uma dupla forma: a material e a espiritual. No caso da luta material, Ahriman quer invadir o céu, mas é repelido para o inferno; na luta espiritual ou mística, Ahriman, princípio da obscuridade, da desordem, do mal, é repelido por Ormuzd, deus da luz, da ordem e do bem. No primeiro caso, a arma de Ormuzd é Atar, o relâmpago; no segundo caso, a piedade ou a oração, personificada sob o nome Vohu Mano.

A personagem mais importante nos épicos persas é Rostam. Sua contraparte é Zahhak, um símbolo do despotismo, que foi finalmente derrotado por Kaveh, que liderou um levante popular contra ele. Zahhak era protegido por duas serpentes que cresciam de seus ombros, e não importava quantas vezes elas fossem decapitadas, suas cabeças cresciam novamente para protegê-lo. A serpente, como em muitas outras mitologias orientais, representava o mal, mas aparecem muitos outros animais na mitologia persa; os pássaros, em especial, eram sinal de boa sorte. Os mais famosos deles são Simorgh, um grande pássaro bonito e poderoso, Homa, o pássaro real da vitória, cujas plumas adornavam as coroas, e Samandar, a fênix.




Peri (avéstico: Pairika), considerada uma mulher bonita, porém má, na mitologia mais antiga, tornou-se, gradualmente, menos má e mais bonita, até transformar-se em um símbolo de beleza, no período islâmico, similar aos houri — espécie de anjos — do Paraíso. Entretanto, uma outra mulher má, Patiareh, atualmente simboliza a prostituição.



As Mil e uma Noites - (Alf Lailah Oua Lailah) é uma obra clássica da literatura Persa, consistindo numa coleção de contos orientais compilados, provavelmente, entre os séculos XIII e XVI. São estruturados como histórias em cadeia, em que cada conto termina com uma deixa que o liga ao seguinte. Essa estruturação força o ouvinte curioso a retornar para continuar a história, interrompida com suspense no ar. O uso do número 1001 sugere que podem aparecer mais histórias, ligadas por um fio condutor infinito. Usar 1000 talvez desse a ideia de fechamento, inteiro, que não caracteriza a proposta da obra.

Foi o orientalista francês Antoine Galland o responsável por tornar o livro conhecido no ocidente (1704). Não existe texto fixo para a obra, variando seu conteúdo de manuscrito a manuscrito. Os árabes foram reunindo e adaptando esses contos maravilhosos de várias tradições. Assim, os contos mais antigos são provavelmente do Egito do século XII. A eles foram sendo agregados contos persas, hindus, siríacos e judaicos.

As versões mais populares hoje em dia são as que se baseiam em traduções de Sir Richard Francis Burton (1850) e Andrew Lang (1898), geralmente adaptadas para eliminar as várias cenas de sexo do original.

Schahriar, rei da Pérsia, vitimado pela infidelidade de sua mulher, mandou matá-la, e resolveu passar cada noite com uma mulher diferente, que mandava degolar na manhã seguinte. Recebendo como mulher a Sherazade, esta iniciou um conto que despertou o interesse do rei em ouvir-lhe a continuação na noite seguinte. Sherazade, por artificiosa ligação dos seus contos, conseguiu encantar o monarca por mil e uma noites e foi poupada da morte.

A história conta que, durante três anos, moças eram sacrificadas pelo rei, até que já não havia mais virgens no reino, e o vizir não sabia mais o que fazer para atender o desejo do rei.

Foi quando uma de suas filhas, Sherazade, pediu-lhe que a levasse como noiva do rei, pois sabia um estratagema para escapar ao triste fim que a esperava. A princesa, após ser possuída pelo rei, começa a contar a extraordinária "História do Mercador e do Efreet", mas, antes que a manhã rompesse, ela parava seu relato, deixando um clima de suspense, só dando continuidade à narrativa na manhã seguinte. Assim, Sherazade conseguiu sobreviver, graças à sua palavra sábia e à curiosidade do rei. Ao fim desse tempo, ela já havia tido três filhos e, na milésima primeira noite, pede ao rei que a poupe, por amor às crianças. O rei finalmente responde que lhe perdoaria, sobretudo pela dignidade de Sherazade.

Fica então a metáfora traduzida por Sherazade: a liberdade se conquista com o exercício da criatividade.

O original em árabe recebia o título de as 1000 noites, que foi alterado mais tarde por ser o número 1000 um número de mau agouro na cultura árabe. A história de Aladim e a lâmpada maravilhosa foi incluída mais tarde por ser muito apreciada e está entre as histórias mais famosas que Sherazade conta. Merecem destaque também as de Simbad (o marinheiro que fica rico em sete viagens fantásticas) e de Ali Babá (que consegue fortuna, enganando os famosos quarenta ladrões).

Alguns estudiosos indicam que o livro, na verdade, se trata de um manual de iniciação ao budismo, mostrando as diversas fases de aprendizado e as delícias que se pode desfrutar por todas as várias outras histórias.


O Tapete Mágico: (ou ainda tapete voador) é um tapete lendário das histórias das Mil e Uma Noites, a que se atribuía a capacidade de voar, transportando uma ou mais pessoas.


Aladim e a Lâmpada Mágica - Aladim (uma corruptela do nome 'Alā 'ad-Dīn – do árabe علاء الدين, e que significa "nobreza da fé" – Aladdin, Aladdim ou ainda Aladino, em Portugal) é um personagem do conto Aladdin e a Lâmpada Maravilhosa, do ramo sírio de As Mil e uma Noites, e descrito como um malandro.

O conto possui variadas edições, mas a maioria delas preserva o teor central do enredo. Na versão do francês Antoine Galland, que inspirou as variadas traduções nos diferentes idiomas no Ocidente, o protagonista Aladim é descrito como um jovem adolescente que se recusa a aprender o ofício do pai, que é alfaiate, sendo descrito por sua mãe como imaturo, "esquecido que não é mais criança". Mesmo depois da morte do pai, quando tinha quinze anos, ele não se modifica – é travesso e prefere brincar a trabalhar. Por este motivo, é também descrito como mau e desobediente.

Aladim mantém-se despreocupado com uma definição para sua vida até ter um encontro com um feiticeiro ou mágico, que o procurava. Este encontro foi determinante para modificar sua trajetória. O mago, possuidor de muitos poderes e capaz de realizar muitos feitos, procura Aladim como um auxiliar eficaz para concretização de uma meta específica – obter uma "lâmpada maravilhosa", uma lamparina semelhante àquelas utilizadas na iluminação doméstica, mas que continha um "gênio" (em árabe djin) que a habitava e que era capaz de realizar todo e qualquer desejo a ele dirigido. A lamparina com o gênio era, para o mago, um recurso mágico que lhe daria mais poderes e que lhe permitiria realizar os desejos irrestritamente; mas ela estava guardada no interior de um jardim encantado, em uma espécie de gruta ou caverna, que continha muitas jóias e moedas de ouro.

O mago pede a Aladim que entre na caverna misteriosa para retirar de lá a lâmpada e, em troca, lhe oferece uma fortuna. Aladim entra na caverna e pega a lâmpada, mas o mago tenta ludibriá-lo na saída da gruta, e ele acaba preso na caverna com a lâmpada. O gênio que habitava a lâmpada se manifesta após um gesto acidental de esfregá-la, e concede a Aladim a realização de seus pedidos, que são todos consumados. Um dos desejos de Aladim foi o de se tornar um príncipe e desposar a princesa, filha do sultão. Ao transformar radicalmente sua realidade pessoal tornando-se príncipe, transforma-se em adulto, casa-se e passa a ser o governador de seu reino.

Simbad, O Marujo - é uma lendária história de origem persa sobre um marinheiro, durante o Califado Abássidas, que tem numerosas e fantásticas aventuras, durante suas viagens através dos mares orientais da África e sul da Ásia. A coleção dos contos que compõem "the Seven Voyages of Sinbad the Sailor" (As Sete Viagens de Simbad).

No enredo, Simbad, após ter concluído suas sete viagens, tornou-se um próspero comerciante de Bagdá. Certo dia, vem passando pela rua em frente a sua casa um pobre carregador de mercadorias chamado Hindbad, falando com um dos criados da maravilhosa casa, que se lamenta da sorte e questiona porque Simbad foi abençoado com riqueza, enquanto ele padece no trabalho braçal. Simbad escuta as queixas do homem e decide contar-lhe suas aventuras para que se justifique porque alcançou tal fortuna.

Na Cultura Popular, Simbad permanece como uma das narrativas mais populares das Mil e uma Noites, tendo suas histórias já sido adaptadas para diversas mídias, desde cinema a desenhos animados e quadrinhos. Uma constante nessas adaptações é divergirem da versão original, muitas vezes mostrando Simbad como um pirata.


Ali Babá e os Quarenta Ladrões - Era uma vez um jovem chamado Ali Babá. Ele viajava pelo reino da Pérsia levando e trazendo notícias para o rei.

Numa das viagens, enquanto descansava, ouviu vozes. Subiu numa árvore e viu quarenta ladrões diante de uma enorme pedra. Um deles adiantou-se e gritou: ''Abre-te, Sésamo!''

A enorme pedra se moveu, mostrando a entrada de uma caverna, os ladrões entraram e a pedra fechou-se.


Quando os ladrões saíram, Ali Babá resolveu experimentar e gritou para a pedra: ''Abre-te, Sésamo!''

A enorme pedra se abriu e Ali Babá entrou na caverna. Viu um imenso tesouro, carregou o que pôde no seu cavalo e partiu direto em direção ao palácio para pedir a filha do sultão, por quem estava apaixonado há muito tempo, em casamento. Quando o sultão viu o dote, aceitou imediatamente.

Ali Babá ficou muito feliz e resolveu contar para todos que ia se casar. Mas, para isso precisava comprar um palácio para a sua princesa. Voltou à pedra e falou: ''Abre-te, Sésamo!''

Um dos ladrões estava escondido e viu Ali Babá sair da caverna carregando o tesouro. O ladrão foi contar aos outros o que viu e decidiram pegá-lo. Com as jóias, Ali Babá comprou um palácio para sua amada e avisou a todos que daria uma festa no dia do seu casamento.

Os ladrões, sabendo da festa, enfiaram-se em tonéis de vinho vazios para atacar Ali Babá à meia-noite, quando estivesse dormindo. A festa foi tão alegre que o vinho acabou. Ali Babá ,então, foi à adega verificar se havia mais e, sem querer, escutou um sussurro: ''Já deu meia-noite?'' perguntou um dos ladrões.

''Já, mas esperem a festa acabar! Aí vamos pegar aquele que está usando o nosso tesouro.''

Voltando à festa, Ali Babá disse: ''O vinho estragou e preciso de ajuda para levá-lo daqui.''

Alguns guardas ajudaram a levar os tonéis até um despenhadeiro. ''Vamos jogá-los lá em baixo'', disse Ali Babá.

Ao perceber que seriam jogados, os quarenta ladrões entregaram-se aos guardas. Com os ladrões presos, Ali Babá ficou com o tesouro. E a princesa e ele viveram felizes para sempre, com a fortuna encontrada.







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