quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sobre o Espírito Cárita


O Espírito Cárita teve um papel relevante durante a elaboração doutrinária do Espiritismo. Legou-nos em O Evangelho Segundo o Espiritismo e na Revista Espírita, de Allan Kardec, mensagens profundas e enternecedoras, conclamando as pessoas à prática do amor e da caridade, virtudes ensinadas e fielmente exemplificadas por Jesus, infalíveis no combate às causas das misérias humanas: o orgulho e o egoísmo.

Não se tem muitas informações sobre o Espírito Cárita (ou Cáritas, como é também conhecido), mesmo porque, simbolizando a Caridade, haveria de proceder realmente com muita humildade e discrição quanto à sua identidade.

O Evangelho Segundo o Espiritismo reproduz em seu Capítulo XIII, ítens 13 e 14, duas das suas empolgantes mensagens, recebidas na cidade de Lião, no ano de 1861. A primeira delas encerra-se dessa forma:

“Convido-vos para um grande banquete e forneço a árvore onde todos vos saciareis! Vede quanto é bela, como está carregada de flores e de frutos! Ide, ide, colhei, apanhai todos os frutos dessa magnificente árvore que se chama a beneficência. No lugar dos ramos que lhe tirardes, atarei todas as boas ações que praticardes e levarei a árvore a Deus, que a carregará de novo, porquanto a beneficência é inexaurível. Acompanhai-me, pois, meus amigos, a fim de que eu vos conte entre os que se arrolam sob a minha bandeira. Nada temais; eu vos conduzirei pelo caminho da salvação, porque sou - a Caridade”.

Identificando-se como Cárita, o Espírito acrescenta: martirizada em Roma.

A Revista Espírita publicou cinco mensagens dessa notável entidade espiritual, com idêntica qualidade: RE 1862 - págs. 52 e 154; RE 1864 - pág. 346; RE 1865 - pág. 365, e RE 1867 - pág.128.

Na primeira mensagem divulgada pela Revista, Allan Kardec informa que a autora espiritual foi evocada na Sociedade Espírita de Paris, quando revelou ter sido Santa Irene, Imperatriz.

Em 1875 foi publicado em Bordeaux, França, o livro “Rayonnements de la Vie Spirituelle” contendo cerca de 183 comunicações mediúnicas, assinadas por eminentes Espíritos, que, em vida, marcaram indelevelmente a nossa história, nos mais diversos segmentos da cultura humana.

Entre estes, podemos citar Delphine de Girardin, Alfred de Musset e Alexandre Dumas, escritores franceses; Giocchino Rossini, compositor italiano; Charles Fourier, filósofo e economista francês; Blaise Pascal, matemático, físico, filósofo e escritor francês; Paracelso, alquimista e médico suíço, entre vários outros.

Também constam desse livro, cujo conhecimento devemos buscar, uma comunicação de Allan Kardec (Espírito) e cinco do Espírito de Verdade, guia espiritual do Codificador. Comparece aí, igualmente, nada mais nada menos que o Espírito Cárita, para brindar-nos com três mensagens, entre as quais está a sublime e incomparável Prece de Cárita, recebida em 25 de dezembro de 1873.

Importante, querido leitor, é sabermos que, graças à generosidade do Bom Deus e ao esforço da Editora CELD, o referido livro foi traduzido e publicado no Brasil em 2002, com o título “Reflexos da Vida Espiritual”.

Em a nota número 40 da obra traduzida há a informação que Irene realmente existiu como Imperatriz de Bizâncio, nascida em Atenas em 752 e desencarnada em Lesbos, em 803. Por sua devoção e fé foi canonizada pela Igreja Ortodoxa, sendo elevada, portanto, à condição de Santa.

Há informações, por outro lado, que existiu no século IV uma Irene da Tessalônica, que se tornou uma santa grega, tendo sido martirizada pelo Imperador Diocleciano, o mais sanguinário perseguidor dos cristãos. (V. Site Wikipedia).

Comunicações como as que estamos reportando, vêm, naturalmente, através de médiuns portadores de grandeza moral. Na situação presente não foi diferente. A pessoa que, na condição de médium, recepcionou todas elas foi a Sra. W. Krell, de Bordeaux, França, excelente médium, que contribuiu, com o seu suporte mediúnico, para o advento da Doutrina Espírita, não só em relação às mensagens de Cárita, insertas na Revista Espírita e no Evangelho Segundo o Espiritismo, mas, outrossim, com referência às do Espírito de Verdade, que Kardec aprovou e reproduziu nas obras básicas.

Pouco se sabe sobre esta médium, o que é muito natural, haja vista que o próprio Codificador tinha por costume identificar os médiuns pelo prenome e, muitas vezes só por iniciais, quando não omitia o nome, tudo isso para atender os seus desejos ou para preservá-los de perseguições.

Segundo Jesus, conhece-se a árvore pelos frutos. O importante mesmo é que a grandeza das mensagens diz tudo sobre a excelsitude moral dos autores, cujas presenças junto à médium respaldam também a beleza moral desta. Isso já é suficiente para confiarmos no trabalho dos Espíritos e da médium, sendo irrelevantes os outros detalhes, na nossa modesta opinião.

Osvaldo Ourives
EM BUSCA DA PLENITUDE

Publicado no site Kardec Online



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