sábado, 29 de outubro de 2011

O Perdão




Quando é que se reconhece a grandeza do ser humano?
Não é quando ele dá esmola para o menino de rua,
quando para o carro em frente à faixa de pedestre
ou quando oferece carona num dia de chuva. 


Essas atitudes reforçam para nós mesmos
ideia de que, sim, somos gente fina. 
Mas é fácil ser gente fina reproduzindo atitudes padrão.
Difícil é ser grande diante do assombro,
diante do inesperado, diante do desconhecido.
Acho que entre todos os grandes gestos, 
o perdão é o maior deles.


Em primeiro lugar, o perdão é fruto do erro de alguém,
e quanto maior este erro, maior a grandeza de quem, atingido,
se dispõe a passar por cima da própria dor e levar a vida adiante.
E o perdão torna-se ainda mais digno
porque ninguém se prepara para perdoar.
É mentira quando alguém diz: eu perdoo tudo.
Este tudo não pode ser mensurado previamente.
Não se sabe de antemão o tamanho do golpe.
Não se pode prever nossa reação diante do difícil
reconhecimento de que alguém falhou conosco. 

É fácil desculpar um atraso, um esbarrão,
um esquecimento, mas o tamanho do perdão
é proporcional ao tamanho do erro:
estes são exemplos de perdões fáceis, corriqueiros.
Difícil é perdoar o trágico.

O Papa João Paulo II perdoou o turco
que lhe deu um tiro anos atrás. 
O Papa é o representante maior de Deus na terra, 
não se espera dele outra atitude, ainda que
tenha surpreendido muita gente.


Mais surpresos ficamos com aqueles que não
vestem nenhum tipo de batina e também perdoam 
os que tiraram a vida de seus irmãos, filhos, pais.
Eles não aceitam, mas compreendem. 
Compreendem a miséria humana,
compreendem as atitudes impensadas. 
São considerados perdedores por causa disso.
E nós, ganhamos o quê não compreendendo?

O perdão é prova de entendimento absoluto,
principalmente de si mesmo. Não perdoar é isolar
o outro, perdoar é entrar no jogo com ele,
participar do problema, e não julgá-lo como se
estivéssemos imunes à mesma fraqueza. 

O perdão é o gesto mais elevado que há. 
Tão elevado que poucos chegam lá.

 

Colaboração: Maria José (Zezé)

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