domingo, 13 de novembro de 2011

A lição do carvalho



Havia um velho carvalho no meio de uma grande floresta.


Há alguns anos, uma enorme tempestade o deixara quebrado e feio e jamais conseguira se reerguer, como as demais árvores.


Quando a primavera chegava, o adornava de flores novas e verdes e o outono tomava o cuidado de pintá-las todas de cor avermelhada.

Mas os ventos inclementes sopravam e levavam todas as folhas e nada mais podia disfarçar a sua feiúra.

A árvore foi se sentindo esquecida, abandonada, sem utilidade. E um enorme vazio tomou conta dela.

Quando o vento do outono passou por ali, ela se lamentou: "ninguém mais me quer. Não sirvo para nada. Sou um velho inútil."

Mais alguns dias se passaram e, na proximidade do inverno, um pica-pau sentou-se em seu tronco e começou a bicá-lo, de forma insistente.

Tanto bicou que conseguiu fazer um pequeno furo, uma portinha de entrada para sua residência de inverno, no tronco oco do carvalho.

Arrumou tudo com muito bom gosto. Aliás, estava praticamente tudo arrumado.

As paredes eram quentinhas, aconchegantes e havia muitos bichinhos que poderiam alimentá-lo e aos seus filhotes.

- Como estou feliz em ter encontrado esta árvore oca! Ela será a salvação para mim e minha família no frio que se aproxima.

Pouco tempo depois, um esquilo aproximou-se e ficou correndo pelo tronco envelhecido, até achar um buraco redondo, que seria a janelinha da sua casa.

Forrou por dentro com musgo e arrumou pilhas e pilhas de nozes que o deveriam alimentar durante toda a estação de ventos gelados.

- Como estou agradecido, falou o esquilo, por ter encontrado esta árvore oca.

O carvalho passou a sentir umas coisas estranhas. As asas dos passarinhos roçando em sua intimidade, o coração alegre do esquilo, suas patas miúdas apalpando o tronco diariamente fizeram com que a árvore se sentisse feliz. Seus ramos passaram a cantar felicidade.

Quando chegou a época das chuvas, deixou-se molhar, permitindo que as gotas escorressem por seus galhos, lentamente.

Aceitou a neve que a envolveu em seu manto por muitas semanas, agradeceu os raios do sol e a luz das estrelas.

Tudo era motivo de felicidade.

A velha árvore redescobrira a alegria de servir.



Ninguém há que nada possua para dar. Ninguém existe que não possa fazer algo a benefício do seu irmão. Um sorriso, uma prece, um gesto, um abraço, um agasalho, um pão. Há tanto que se fazer na Terra. Existem tantos aguardando a cota do nosso gesto de ternura. Ninguém inútil ou desprezível. Cabe-nos redescobrir a riqueza que em nós existe e distribuí-la a quem dela necessite ou espere.

Se nos sentirmos solitários, em meio às dificuldades que nos alcancem, aprendamos a estender sorrisos nos caminhos por onde passarmos. Antes de nos amargurarmos e cobrar gestos de carinho de amigos e parentes, antecipemo-nos e doemos a nossa cota de amor, ainda hoje, permitindo-nos usufruir da alegria de dar e dar-se.
Redação do Momento Espírita
com base no texto A árvore solitária
O livro das virtudes, v. 2, ed. Nova fronteira. 
de William J. Bennett


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