terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Tempo



Todas as criaturas gozam o tempo
– raras aproveitam-no.

Corre a oportunidade – espalhando bênçãos.
Arrasta-se o homem – estragando as dádivas recebidas.

Cada dia é um país – de vinte e quatro províncias.

Cada hora é uma província – de sessenta unidades.

O homem, contudo, é o semeador – que não despertou ainda.

Distraído cultivador, pergunta: - que farei?

E o tempo silencioso responde, com ensejos benditos:

De servir – ganhando autoridade.
De obedecer – conquistando o mundo.
De lutar – escalando os céus.

O homem, todavia, - voluntariamente cego -
roga sempre mais tempo – para zombar da vida,

Porque se obedece – revolta-se orgulhoso;

Se sofre – injuria e blasfema;

Se chamado a conta – lavra reclamações descabidas.

Cientistas – fogem da verdadeira ciência.
Filósofos – ausentam-se dos próprios ensinos.
Religiosos – negam a religião.
Administradores – retiram-se da responsabilidade.
Médicos – subtraem-se à medicina.
Literatos – furtam-se à divina verdade.
Estadistas – centralizam a dominação.
Servidores do povo – buscam interesses privados.
Lavradores – abandonam a terra.
Trabalhadores – escapam do serviço.
Gozadores temporários – entronizam ilusões.

Ao invés de suar no trabalho
– apanham borboletas da fantasia

Desfrutam a existência – assassinando-a em si próprios.

Possuem os bens da Terra – acabando possuídos.

Reclamam liberdade – submetendo-se à escravidão.

Mas, chega um dia
– porque há sempre um dia mais claro que os outros -
em que a morte surge – reclamando trapos velhos...

O tempo recolhe, então, apressado
– as oportunidades que pareciam sem fim...

E o homem reconhece – tardiamente preocupado,
que a Eternidade infinita – pede contas do minuto...

ANDRÉ LUIZ
Do livro “Coletânea do Além”,
Francisco C. Xavier – Autores Diversos


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