quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A cor da saudade



Era uma vez uma menina que tinha um pássaro encantado.

Ele era encantado por duas razões: 
Não vivia em gaiolas, vivia solto.
Vinha quando queria,
quando sentia saudades... 
E sempre que voltava,
suas penas tinham cores diferentes,
as cores dos lugares por onde tinha voado.
           
Certa vez voltou com penas
imaculadamente brancas, e contou histórias de montanhas cobertas de neve. 

Outra vez, suas penas estavam vermelhas, e contou histórias de desertos incendiados pelo sol. 

Era grande a felicidade quando eles estavam juntos. Mas sempre chegava a hora do pássaro partir...

A menina chorava e implorava: 
- Por favor, não vá. 
Terei saudades, vou chorar.

- Eu também terei saudades - dizia o Pássaro
- mas vou lhe contar um segredo!
Eu só sou encantado por causa da Saudade.
É ela que faz com que minhas penas fiquem bonitas... Senão você deixará de me amar.
E partiu. 

A menina, sozinha, chorava.

Uma certa noite ela teve uma ideia:
e se o Pássaro não partir? 
Seremos felizes para sempre! Para ele ficar, basta que eu o prenda numa gaiola. 
E assim fez. 

A menina comprou uma gaiola de prata, 
A mais linda que ela encontrou. 
Quando o pássaro voltou, eles se abraçaram, ele contou histórias e adormeceu. 
A menina aproveitou o seu sono
e o engaiolou.

Quando o pássaro acordou,
deu um grito de dor.

- Ah ! O que você fez?
 Quebrou o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das histórias. Sem a saudade, o amor irá embora...

A menina não acreditou...
Achou que ele se acostumaria. 
Mas não foi isso o que aconteceu. 
Caíram as plumas e as penas transformaram-se em um cinzento triste. 
Não era mais aquele
o pássaro que ela tanto amava... 
Até que ela não mais aguentou
e abriu a porta da gaiola. 

- Pode ir, pássaro - 
Volte quando você quiser... 

- Obrigado - disse o pássaro - irei e voltarei quando ficar encantado de novo. 
Você sabe, ficarei encantado de novo quando a saudade voltar dentro de mim 
e dentro de você. 

Quantas vezes aprisionamos a quem amamos, pensando que estamos fazendo o melhor? 
Pense. Deixar livre é uma forma singela 
de ver, ter... 
Direcione o seu amor não para a prisão e sim para a conquista, sempre. 

Desconhecemos o autor
Música:
Somewhere out there
Carl Doy

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