sexta-feira, 29 de março de 2013

Passeando com Deus


Numa tarde de inverno, o vento soprava gelado pelas esquinas daquela grande metrópole e o sol iluminava e aquecia levemente as pessoas que caminhavam pela rua.

Como num dia de semana qualquer, onde o trabalho ocupava a maior parte de seu tempo, aquela senhora estava repleta de afazeres para cumprir, porém, resolveu dar um destino diferente às horas vespertinas.

Lembrou-se de que, há muito tempo, vinha levando sua vida num automatismo sem interrupção, reservando pouco ou quase nenhum momento para meditar ou sintonizar com a espiritualidade superior.

Resolveu então fazer um passeio pelas ruas da parte histórica da cidade.

Ruas que, nos séculos dezoito e dezenove, foram palco de variado comércio e que, ainda hoje, mantêm construções antigas nas suas imediações, restauradas e adaptadas para utilização comercial.

Ruas onde transitaram tropeiros, fazendeiros e colonos com suas carroças repletas de produtos de pomares, hortas e granjas.

Sentindo necessidade em sua alma, convidou Deus para lhe fazer companhia nesse passeio.

E, como se não tivesse nenhum compromisso, saiu a caminhar, ela e Deus. De alguma forma, ela o sentia próximo. Poderia estar ao seu lado, em seu íntimo, em seu coração. O que importava era a certeza de estar com Ele.

Andou e curtiu as ruas calçadas de pedras, os monumentos e casarões dos séculos passados, onde se via claramente a influência arquitetônica trazida de outro continente.

Sentou para tomar um café numa lanchonete de esquina e, ao observar os transeuntes e a paisagem, sentiu-se atraída a entrar em um templo religioso.

E assim fez. Ela e Deus.

Orou, agradecendo por todas as dádivas recebidas, derramou lágrimas por sua própria dor e pelas dores do mundo e rogou bênçãos para todas as criaturas desacostumadas ao amor.

Ao sair daquele templo, sentiu-se imensamente leve, como se na vida tudo fosse paz.

Agradeceu por ter passado uma tarde sentindo-se próxima de Deus.

E, ao cumprir as obrigações do final daquele dia, reconheceu que os momentos anteriores haviam lhe aquecido a alma e lhe proporcionado um grande bem.

Ainda envolta na energia salutar vinda daqueles instantes elevados, prometeu a si mesma que daquele dia em diante, a sintonia com toda a obra divina assim como a prece, fariam parte do seu cotidiano.



Reserva um breve espaço de tempo entre os teus deveres para a beleza.

Desperta cedo, a fim de acompanhar o nascer do dia, embriagando-te com a pujança da luz.

Caminha por um bosque, silenciosamente, aspirando o ar da natureza.

Movimenta-te numa praia deserta e reflexiona em torno da grandiosidade do mar.

Contempla uma noite estrelada e faze mudas interrogações.

Contempla uma rosa em pleno desabrochar…

Para ao lado de uma criança inocente…

Conversa com um ancião tranquilo…

Abre-te à beleza que há em tudo e adorna-te com ela.


Redação do Momento Espírita
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