quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O sutil aroma da gratidão



A vida dos grandes compositores, de um modo geral, foi assinalada por dramas e tragédias. Giuseppe Fortunino Francesco Verdi não fugiu à regra.

Jovem, foi ser professor musical de Margherita Barezzi, por quem se apaixonou.

Casados, tiveram dois filhos que morreram na infância, enquanto Verdi trabalhava em sua primeira ópera. E, enquanto ele compunha sua segunda ópera, Un giorno di regno, morreu sua esposa, com apenas vinte e sete anos.

Devastado pela dor, ele prometeu que não voltaria a compor. Não demorou muito para que a penúria lhe batesse à porta e tivesse crédito cortado em qualquer local em que pretendesse se alimentar.

Conta-se que, certa noite em que o frio castigava a cidade, viu, na rua, uma mulher com duas crianças. Ela cozinhava castanhas, em um fogo improvisado.

Ele retirou o cachecol, ofereceu-o para a mulher e, humildemente, perguntou: Poderia me dar algumas castanhas, em troca disto?

Condoída, a mulher devolveu o cachecol com algumas castanhas. Enquanto as crianças a olhavam, sem entender, ela afirmou:

Ele está sentindo muito mais fome do que nós.

Dois anos mais tarde, no entanto, ele estreou a sua ópera Nabuco, que o tornou famoso em Milão.

Com boas roupas, crédito, um bom lugar para morar, ele voltou às ruas para procurar a mulher que lhe matara a fome, em noite invernosa.

Encontrando-a, lhe perguntou se ela se recordava dele. Ele estava muito bem trajado para que ela o pudesse associar ao quase mendigo a quem ofertara algumas castanhas, em dias passados.

Ele lhe disse: Mas eu me lembro da senhora e não esquecerei o seu gesto.

Agasalhou-a em um xale para vencer a friagem das horas e lhe colocou nas mãos algumas moedas.

E desapareceu na noite.
Felizes os corações agradecidos. Aqueles que não esquecem as bênçãos recebidas, os favores ofertados.

Alguém escreveu que uma das forças mais poderosas que existe - e pouco compreendida - é o poder da gratidão.

A gratidão engloba a força do reconhecimento de um poder superior a nós, que mexe com as engrenagens do Universo.

O ato de agradecer é maior do que qualquer dogma religioso.

Engloba também a força do pensamento positivo, que permite que possamos desenvolver o otimismo e a confiança em nós e no futuro.

E, com certeza, não nos faltam motivos para agradecer:

O fato de estar vivo, o estar ouvindo ou lendo esta mensagem.

Também pelas dificuldades do caminho. Elas se constituem em fortalecimento próprio e nos permitem que nos tornemos seres melhores e mais humanos.

São como as pedras no caminho que conferem maior segurança a quem transita, em dias de chuva e lama.

Talvez uma boa prática fosse destinar cinco minutos diários para espalhar o aroma sutil da gratidão.

Poderíamos nos servir de breves linhas, bilhetes deixados em locais estratégicos, curtas mensagens enviadas pelo telefone móvel.

Agradecer pelo carinho dos pais e amigos, pelo valor dos professores e profissionais médicos. Por quem nos serve o alimento, por quem providencia a limpeza do ambiente.

Ou para pessoas que, simplesmente, em certo momento, nos ofertaram a palavra certa.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita
com pensamentos de Humberto Bez Batti

fonte:


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