sábado, 15 de fevereiro de 2014

O verdadeiro som da verdade




Um devotado praticante de meditação, depois de anos concentrado em um mantra em particular, havia conquistado insight suficiente para começar a ensinar. A humildade do estudante estava longe de ser perfeita, mas os mestres no mosteiro não se preocupavam com isso.

Com alguns anos ensinando com sucesso deixaram o praticante certo de que não precisava aprender com mais ninguém; mas ao ouvir falar de um famoso ermitão que vivia nas proximidades, viu que a oportunidade era muito atraente para ser deixada de lado.

O ermitão vivia sozinho em uma ilha no meio de um lago; desta forma o praticante contratou um homem com um barco para atravessá-lo até a ilha. O praticante foi muito respeitoso com o velho ermitão. 

Depois de tomarem chá com ervas, o praticante perguntou ao ermitão sobre suas práticas espirituais. 

O velho lhe disse que não tinha nenhuma prática espiritual, exceto por um mantra que ele repetia o tempo todo para si mesmo. O praticante estava extasiado: o ermitão estava usando o mesmo mantra; mas quando o ermitão pronunciou o mantra em voz alta, o praticante ficou estarrecido!

"O que está errado?" perguntou o ermitão.

"Eu não sei o que dizer. Eu temo que você desperdiçou toda a sua vida! O senhor está pronunciando o mantra de forma incorreta!"

Oh! Isto é terrível. Como eu deveria dizê-lo?

O praticante deu a pronúncia correta, e o velho ermitão ficou muito agradecido, pedindo para ser deixado a sós para que pudesse começar imediatamente na prática.

Na travessia de volta o praticante, agora obviamente um mestre completo, ficou refletindo sobre o triste destino do velho ermitão.

"Foi muita sorte eu ter vindo. Pelo menos ele terá um pouco de tempo para praticar corretamente antes de morrer”.

Neste instante, o praticante percebeu que o barqueiro estava olhando assustado, e se virou para ver o ermitão de pé, respeitosamente, sobre a água perto do barco.

"Com licença, por favor. Sinto incomodá-lo, mas eu esqueci de novo a pronúncia correta. Você, por favor, poderia repeti-la para mim?"

"Obviamente o senhor não precisa disto", gaguejou o praticante, mas o velho insistiu em seu pedido educado até que o praticante demonstrou piedade e repetiu para ele novamente.

O velho ermitão ficou dizendo o mantra muito cuidadosamente, devagar e repetidamente, enquanto caminhava sobre a superfície da água de volta para a ilha.

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