terça-feira, 2 de setembro de 2014

Saudade e lembrança


Podem parecer sinônimos,
ideia igual, mas no sentir, diferente.
Lembrança é da memória,
saudade é da alma da gente.

Lembranças surgem com um cheiro,
uma música, de um nada.
Saudade surge sozinha emerge
do fundo do peito, onde é guardada.

Lembrança pode ser boa, mas quando
não é pode ser afastada.
Com outra lembrança, virando
uma página, trocando de estrada.

Saudade é sempre boa, mesmo quando
dói lá no fundo, dolente.
E não se apaga mesmo quando
tentamos ocupar o vazio.

Lembrança é algo real, de um lugar,
uma época, nossa gente.
Saudade pode ser do que não houve,
de um porto sem navio...
De lábios jamais tocados, de sonhos não vividos,
de amores escondidos.

Lembrança pode ser medida, contada,
focalizada, até calculada.
Mas saudade, não... é dos poetas,
dos que amam, é sonhada.
É pautada em rimas e melodias,
vontade de ver a pessoa amada.
De sentir tudo de novo, mas juntos,
com a alma encantada.

Lembrança pode ter som, pode não doer,
mas saudade é sonora.
Se ela não vier com música de fundo
a gente cria, incorpora.
Só pra ficar mais bonita, mais gostosa
de doer, mais poesia.
Mais harmônica de sentir é tentar
preencher a alma vazia.

Lembrança vence a morte,
mas conforma-se com a ausência,
respeita as convenções, limites, direitos.
Saudade ignora a morte, vence distâncias,
barreiras e preconceitos.

Lembrança, aceita nosso comando,
vai e volta como destroços.
Saudade tem vida própria, é irreverente,
independente, é auto suficiente.

Lembrança é um álbum de fotos.
Saudade é a maior parte da gente.

Jorge Reigada

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