segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Quem sou eu?



Eu sou apenas aquilo que penso que sou, mas pensar em ser não é suficiente para ser, pois se eu penso em ser, já não sou.

Eu sou aquilo que acredito ser, uma mistura de minhas crenças. Mas crer não é suficiente para ser, pois o louco que acredita ser rei é ainda mais louco que o louco comum.

Eu sou aquilo que não quero ser. Evitamos tanto o que nos causa aversão que acabamos vendo-o em tudo e atraindo aquilo que não queremos ser.

Eu sou a imagem que criei de mim mesmo. Mas minha imagem projetada nas águas de um rio não sou eu. Mas vivo como se essa imagem fosse eu mesmo.

Eu sou tudo aquilo que desejo, mas o desejo revela algo que quero alcançar, e que, portanto, ainda não sou.

Eu sou meus preconceitos, meus rótulos, meus julgamentos, pois todos eles revelam a limitação dos meus preconceitos, dos meus rótulos e dos meus julgamentos. Tudo isso, portanto, revela os limites restritos do que eu sou.

Eu sou aquilo que estou acostumado, que me conforta, que me protege e que me sustenta. Mas se algo me dá fundamento, o fundamento não vem do que sou, mas de algo que me mantém.

O que sou então, afinal?

Sou tudo aquilo com o qual me identifico. A identificação com um grupo me faz pertencer a esse grupo. A identificação com o mundo me faz pertencer ao mundo e me prende ao mundo. A identificação com algo maior e mais livre me faz um pouco maior e mais livre.

Quem sou eu? Marido, filho, pai, avô, médico, advogado, ladrão, prostituta, fazendeiro? Sou uma coisa ou nada? Onde está o ser que sou? Pode o Ser ser encontrado em algum lugar? Posso medir o ser, identificá-lo, determiná-lo? ou descrevê-lo?

Alguns dizem que somos os rios, a terra, os mares, o céu, o vento, as chuvas, o verde das plantas, e tudo o que existe. Outros dizem que não somos nada, mas apenas a poeira das estrelas vagando por um universo de caos e acaso.

Vejo-me em todas as coisas, como se tudo fosse um espelho no qual eu projeto aquilo que sou.

Ao mesmo tempo me vejo nas coisas do mundo, pois tudo o que existe é um reflexo de uma natureza essencial que está presente em mim e em tudo.

Fui criado a imagem e semelhança de Deus? Ou criei Deus a minha imagem e semelhança?

Sim, fui criado a imagem e semelhança de Deus, embora os homens, em suas pequeninas lentes enxerguem a Deus dentro dos limites mais estreitos de sua visão. Estes contemplam o infinito e não conseguem ver nada mais do que o seu próprio ego refletido.

Mas eu sei que sou o infinito quando contemplo tudo sem um ego, sem identificações, sem preferências, sem prisões, sem crenças, sem limites.

O que somos afinal? Seremos nada? Ou seremos, ao contrário, todas as coisas? Não… somos tudo e nada ao mesmo tempo.

Eu procuro apenas tornar-me aquilo que já sou. Mas não posso me tornar aquilo que sou, pois se já sou, não há motivo para buscar ser. Quando penso no que quero ser, já não sou, mas quando sou simplesmente, eu sou…

Eu apenas sou, portanto. Simplesmente sou… livre de tudo. Eu sou aquilo que sou, e mais nada. O ser é o ser. Eu sou…

Hugo Lapa

Fonte:
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