sábado, 4 de abril de 2015

No Reino das Virtudes



Conta-se que o Senhor desejou levantar grande mansão destinada a moradia de certo orientador de encargos complexos, num mundo feliz, e para isso convocou algumas das virtudes do seu Reino de Sabedoria e de Amor.

Apareceu a Geometria e escolheu o local no topo do monte.

Veio o Cálculo e traçou os planos.

Chegou o Gênio das invenções e ergueu máquinas que garantissem a segurança e o conforto da construção.

Surgiu o Equilíbrio e orientou a formação de pisos e vigas cornijas e paredes, tetos e mirantes.

Destacou-se a higiene, que cuidou de tudo o que se reportava ao asseio.

Veio a Beleza e decorou o palácio com imagens e cores de elevada significação.

A Cultura entrou em atividade e organizou valiosa biblioteca.

A Prudência compareceu e guiou a fabricação de portas e chaves.

A Alegria apareceu e plantou belo jardim.

Terminada a obra, o Senhor veio examiná-la mas não pareceu satisfeito.

Alguns dos aposentos eram sombrios e depois do entardecer a noite dominava todo o grande recinto.

A vista disso recomendou a mais ampla cooperação dos Cismos e a Administração dos Céus enviou-lhe outra Virtude que não pedia qualquer consideração.

Abordou a paisagem, evitando os espelhos da popularidade e da fama, penetrou no castelo, sem perder tempo, e, lá dentro, esculpiu a tomada elétrica, retirando-se logo após.

Desde esse momento, a vivenda, tanto quanto quisessem os moradores, convertia-se em soberbo espetáculo de luz.

Multidões de curiosos cercaram a mansão, no intuito de algo perguntar a quem realizara semelhante prodígio, no entanto, não mais encontraram a mensageira.

Souberam apenas que essa Virtude trazia o nome de Humildade!!!

Meimei
Francisco Cândido Xavier







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