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domingo, 3 de julho de 2011

Mitologia Indiana




A mitologia hindu é, provavelmente, uma das mais antigas do mundo. Seus primeiros mitos remontam a, talvez, 8000 anos e nasceram numa região conhecida como Vale do Indo (no atual Paquistão).

Desde os primeiros tempos em que os humanos se sentiam protegidos dentro de uma caverna e sentavam em volta de uma fogueira, a vontade de contar os seus feitos para os demais fez surgir a mitologia. Contar histórias sempre foi um dos principais passatempos dos seres humanos. Ainda hoje o cinema e os jogos de computador (RPG) são reflexos destas práticas.


Joseph Campbell, o conhecido estudioso da mitologia mundial, nos ensina que "o mito é a abertura secreta através da qual as energias inesgotáveis do cosmos são lançadas nas manifestações culturais humanas" e "a função primordial da mitologia e do mito sempre foi oferecer símbolos que fazem progredir o espírito humano."
O panteão hindu constitui uma tentativa formidável de criar máscaras pelas quais o ser humano tenta falar dos seus sonhos e medos.

A mitologia hindu inicia com o imanifestado (Adhinatha), que se manisfesta na trimurti Brahma, Vishnu e Shiva, unidade na pluralidade.

Na mitologia hindu incluem-se todas as possibilidades: deuses, semi-deuses, seres celestiais, anjos, demônios e vampiros, cujas sagas e peripécias serviram, desde a antiguidade, para alimentar o imaginário e os ideais do ser humano.

Apesar desta inegável multiplicidade, o hinduísmo não é tão politeísta quanto aparenta; tirar essa conclusão seria tão leviano como concluir, olhando para o santoral cristão, que o cristianismo é politeísta.

O hinduísmo tem uma base filosófica dividida em dharshanas (pontos de vista), mas até certo ponto termina a lógica e começa o imaginário, de difícil determinação. Vale a pena ressaltar que para os indianos não é mitologia, é Fé. A fé cristã é também vista como mito para eles.


Fonte: Wikipedia



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Nos assentamentos urbanos do vale do Indo, entre os restos da civilização precursora de Harappa, nas ruínas das altamente evoluídas cidades de Harappa e Mohenjo-Daro, encontraram-se as imagens, em terracota e em selos de cerâmica, de diversas divindades que bem podem considerar-se como precursoras das posteriores representações bramânicas.

Esta cultura, que já se comunicava regularmente com a mesopotâmica no século XXIV a.C., tinha o touro como animal emblemático principal, dada a abundância das suas representações, certamente como garantia da fecundidade e como símbolo da vida após a morte; o touro ou boi sagrado compartilhava a sua popularidade, a julgar pelo número de achados, com uma deusa-mãe que também estaria a cargo da proteção da fecundidade, de um modo similar ao que o faria, séculos mais tarde, a deusa Devi, esposa de Shiva, uma figura da qual esta deusa inominada do vale do Indo pôde ser antecessora. O ubíquo e predominante touro sagrado aparece também em outras representações, de perfil, perante uma pira ritual, como o fará, depois, uma das advocacias de Shiva, Nandi; assim como outra representação do touro sagrado, em lugar preeminente junto de outros animais, pode ser, por sua parte, assimilada à posterior advocacia de Shiva como protetor dos animais, o deus Pashupanti.

Outros animais emblemáticos terrestres e aéreos também aparecem, profusamente, na cerâmica de Harappa, e são, naturalmente, os mesmos elefantes, tigres, serpentes, búfalos, águias, macacos, etc., que continuarão sendo parte importante das personificações zoomórficas dos deuses do panteão indiano.

Mas a primeira aparição histórica é a que nos vem colhida pelos Vedas, as obras escritas em sânscrito do ritual religioso, elaboradas pelos arianos, um povo chegado à Índia vindo do noroeste, entre os séculos XVI e XIII (a.C). No grupo dos "arya", dos nobres, estavam as três castas dos Brahmanes ou homens da religião, os ksatriya ou guerreiros, e a última casta, dos vaisya ou povo; com eles, mas a uma grande distância social, estavam os sudra ou vassalos, os que não eram "arya", mas iam junto dos nobres.

Esta obra do Veda, do conhecimento, que começa com o livro do Rig Veda, livro que se devia ter escrito para o século XX (a.C), se continua com o Yajur Veda, contendo o primeiro ritual, o Sama Veda, no qual figuram os cantos religiosos, e o Atarva Veda, o tratado da religião íntima, para uso privado dos fiéis. O Rig Veda, com mais de 1.000 hinos e 10.000 estrofes, nos fala de um Universo composto por duas partes: Sat e Asat.


Sat é o mundo existente, a parte destinada às divindades e à humanidade; Asat, o mundo não existente, é o território do demônio.

Em Sat está a luz, o calor e a água; em Asat só há escuridão, porque os demônios vivem nela, na noite. O Sat, o mundo visível e existente, está composto por três esferas: a superior do firmamento, o ar que está sobre as nossas cabeças e o solo do planeta onde vivemos. Mas a criação deste Universo não foi só um ato gratuito, um ato de vontade divina; pelo contrário, a construção do mundo que agora habitamos necessitou de uma luta heróica e decidida entre as forças do ar e as forças da matéria, porque o Universo é um lugar belo que só se pôde conseguir com o esforço que representa o combate entre as forças do bem e as forças do mal.

Entre os assura, os seres espirituais, havia uma grande rivalidade que se manifestava na briga entre os deuses aditya e os demônios raksa. Esta briga desembocou, finalmente, numa luta que resolverá o domínio do mundo dos assura, através do confronto direto entre os campeões dos dois bandos, entre o deva Indra, um filho do Céu e da Terra, que morava no ar, e Vritra, o dono dos materiais necessários para construir o Universo.

O deva, o deus Indra, era um aditya escolhido pelos seus companheiros para representá-los no combate no qual devia vencer o seu campeão de uma vez por todas. O seu oponente, Vritra, era um danava ou raksa; o seu antagonismo vinha de longe, até tal ponto que se tornou necessário chegar a iniciar o combate definitivo, aquele do qual sairá o chefe indiscutível. O deva Indra, após beber a bebida sagrada, o soma, cresceu tanto que os seus pais, Céu e Terra, tiveram que afastar-se para lhe deixar espaço; por isso, ele habitava no ar da atmosfera, que ficou aberta, com a sua separação.

Indra foi armado com o raio (vayra) por Tvastri, o ferreiro dos deuses, e fortaleceu-se ainda mais tomando outros três grandes jarros de soma, mas a luta foi longa e difícil, porque Vritra, onde andava o filho de Danu, era nada menos que uma gigantesca serpente que vivia nas montanhas, dado que é sabido que as forças do mal gostam de tomar o aspecto da serpente.

Indra, com ou sem a ajuda de Rudra e dos maruts, divindades do vento, que nisso há versões diferentes, combateu Vritra até conseguir destroçar-lhe o lombo com o vayra; e não se deu por satisfeito, pois Indra também acabou com a mãe Danu, que caiu, ao morrer sobre o cadáver do representante do mal. Mas do mal nasceu o bem e, assim, do seu ventre nasceram as águas da terra, até encherem os oceanos, de cujo calor saiu o Sol; e com o Sol, o ar, a terra firme e os oceanos, já foi possível construir o Universo, pois se possuíam todos os materiais requeridos, e se deu forma definitiva ao Sat dos deuses e das suas criaturas, enquanto o Asat invisível ficava para sempre afastado e relegado à sua não-existência.

Os três deuses encarregados de velar pelo Sat, desde o momento da sua criação, são Dyaus, Indra e Varuma. Dyaus está a cargo da primeira esfera cósmica, a concavidade do firmamento; Indra da segunda, do ar da atmosfera e dos elementos e meteoros que nela acontecem; Varuma encarrega-se da terceira esfera, da qual a ordem cósmica estabelecida rege na terra.

Dyaus Pitr, o Céu Pai, é o esposo do fecundador de Prtivi Matr, a Terra Mãe; Dyaus o Grande é o espírito benfeitor supremo do dia e da luz. Varuma, o deus que está em todos os lados, é também o chefe dos adityas, os filhos de Aditi, a deusa virgem do ar; Varuma cuida do rito da verdade divina, e o faz  zelosamente da Terra e da Lua, isto é, mantém-se vigilante no dia e na noite, ajudado na sua constante missão protetora pelas estrelas, como zelador que é da ordem sagrada no Universo visível, do Sat, embora o deus solar Mitra siga substituindo-o nas tarefas diurnas, de um modo auxiliar, pelo menos na Índia, dado que o Mitra transferido para o Ocidente, primeiro através da Babilônia e mais tarde da Pérsia, converte-se num deus principal. 

Varuma é o deus sábio que conhece tudo o que já aconteceu e tudo o que tem de suceder. Da sua garganta brotam as águas das sete fontes do céu, de onde vêm à terra para formar os grandes rios do planeta. Dyaus Pitr, donde talvez sairá o Zeus grego, é o deus supremo do Céu.

Varuma também velava pelos mortos, paraíso no qual reina junto com o primeiro humano nascido e falecido, o bom Yama, e com a sentinela dos dois cães protetores das almas, Syama e Sabala. O deva Indra, desposado com a deusa Indrani, era uma divindade caprichosa, embora fosse o deus principal dos humanos, e os seus caprichos manifestavam-se com mulheres, homens ou animais, tanto que a divindade Gautama teve que enfurecer-se com a sua atitude e chegou a desmembrá-lo, embora, mais tarde, os seus divinos companheiros se ocupassem de recompor o seu corpo desfeito.

Entre os aditya estavam também Mitra, do qual já se falou, Baga, Amsa, Daksa e Aryaman, junto de Indra e Varuma, formando o septeto básico; também se costumava pôr um oitavo aditya, o errante Martanda, que, com o seu contínuo andar pelo céu, era simplesmente uma divindade astral, o Sol, Surya, desposado com a deusa da Aurora, Uchas, uma deusa bondosa e benfeitora. A serviço dos adityas estavam os cavaleiros ou Asvins, divindades menores, que tinham os seus domínios na escuridão de cada noite, dispensadores do orvalho, no seu correr celestial, e outorgadores de muitos mais bens espirituais e corporais.

Os centauros Gandharva vigiavam o sumo sagrado do Soma, que era, além disso, outro deus de importância nas cerimônias sagradas. Estes centauros Gandhava eram, do mesmo modo, umas divindades tutelares das almas emigrantes na metempsicose. Os Gandharva estavam unidos às mais belas divindades, as perturbadoras Apsara, ninfas da água e concubinas dos deuses maiores. Precisamente um Gandharva, Visvavat, foi o pai do primeiro mortal.

Visvavat estava casado com Saranya, a filha do ferreiro dos deuses, Tvachtar, o mesmo que proporcionou o raio a Indra para lutar com Vritra. Deste casamento nasceram Yama e a sua irmã gêmea, e esposa, Yami.

Os Gandharva também se ocupavam da escolta do deva Kama, deus do amor e esposo de Rati, deusa da paixão amorosa. Na mitologia bramânica, Kama, foi morto por Shiva, dado que tinha tentado distraí-lo nas suas meditações, seguindo as maliciosas instruções da mutante deusa Parvati, esposa de Shiva; mas foi devolvido à vida pelo mesmo Shiva, ao ouvir a pena que invadia a apaixonada viúva Rati. Depois da sua misericordiosa ressurreição, Kama passou a tomar a nova denominação de Ananga.

Os Marut, os deuses dos ventos, filhos do deus Rudra e da deusa Prasni, tinham grande poder, tanto como o dos temporais devastadores que vinham das montanhas, ou o dos ventos carregados de água benéfica, que apareciam estacionalmente na época das chuvas, que era simplesmente o urinar dos cavalos de Rodasi, a outra esposa do seu pai Rudra, ou o da sua mãe, a vaca Prasni.

Mas os Marut não estavam sozinhos no reino dos ares, pois o deus Savitar era quem fazia com que se levantasse o vento, se pusessem em movimento os raios do sol e fluíssem as águas dos rios, porque ele próprio era o movimento e até o próprio Sol, embora, então, tomasse o nome de Surya. O deva Puchan, armado com uma lança de ouro, encarregava-se de unir o destino dos seres vivos e de cuidar deles em todo o necessário para o seu sustento, assim como de guiá-los nas suas viagens pelo bom caminho.

Mas o culto mais popular, o que atraía os mais abundantes sacrifícios dos fiéis, os crauta do ritual, dirigiam-se preferentemente a Agni ou Anhi, o deus vermelho do fogo, o dos sete braços e três pernas, o que estava em todos os lugares onde se fizesse fogo. Anhi era filho da união entre o Céu e a Terra e, posteriormente, foi adscrito à união entre o Céu e Brahma.

Anhi estava casado com Svaha, que o fez pai de três filhos: Pavaka, Pavamana e Suc. Ao redor deste deus formou-se uma muito especializada e importante casta sacerdotal, pois só ela se considerava capaz de dirigir-se a ele com rezas e cânticos específicos, uma ordem sacerdotal que daria, mais tarde, nascimento à casta superior dos Brahmanes, precisamente os responsáveis de que a religião popular que se colhia nos livros do Veda fosse deslocada em favor do mais completo e complexo corpus do culto bramânico, uma mistura de religião e metafísica que se converterá, também, no regulamento quotidiano para os crentes, fazendo dele uma forma de vida totalizadora do religioso e o doméstico.

Da união dos Veda e do ritual sagrado, elaborado de cima, pela classe sacerdotal, nasceu a nova doutrina bramânica, na qual revelação e costume se sintetizavam para formarem um único corpo de regras que preside toda a vida dos fiéis, que vai, desde os livros revelados, os quatro Veda, os livros ascéticos do Aranyaka, os religiosos Brahmanes e os litúrgicos Upanisads, aos livros escritos pelo homem para compendiar o conhecimento humano, os que tratavam da astronomia, da arte e da linguagem, os Vedangas, as leis reunidas nos Dharma e os Sutras, os livros de relatos legendários Puranas, e as epopéias do Ramayana e o Mahabharata, onde se encontra o texto védico do Bhagavad Gita, que nos ensina as três vias sagradas de acesso ao conhecimento pela contemplação, as obras e a devoção religiosa.

O Brahmanismo contempla na sua base o mistério da Trimurti, a trindade do absoluto, do Eu ou atman, como criador de toda a existência e possuidor de todas as idéias. O Eu existe nas suas três pessoas complementares: Brahma, o criador, Visnú, o conservador e Shiva, o destrutor.

Mas também o Eu, o Único, coexiste, ao mesmo tempo, nas duas naturezas unidas, na mortal e na imortal, porque as duas naturezas são simplesmente uma única essência, o último princípio, o atman. Por isso, o deus que conhece tudo e que tudo experimenta é, antes de mais nada, a ubíqua presença universal, quer seja em criatura viva ou em coisa inanimada. E os humanos não somos senão reflexo dessa dupla natureza mortal e imortal a um tempo, todos os humanos somos um eu pessoal, mais a parte proporcional do Eu total; a esse eu devemos tentar unir-nos para alcançar a paz eterna, a harmonia com o último princípio, para poder aspirar a ser felizes nesta vida contingente e eternos na vida transcendente.

Enquanto Brahma ficava estabelecido num plano metafísico, as outras duas personificações do Trimurti, Shiva e Visnú, convertiam-se em figuras queridas e temidas, nos santos visíveis, aos quais havia que recorrer num caso concreto, nas pessoas divinas mas humanizadas, das quais se podiam contar lendas e acreditar em prodígios, porque os deuses, que se assemelham aos homens nos seus defeitos e nas suas virtudes, sempre estão mais perto deles.

Visnú, por exemplo, foi o herói amado, o ser celestial que descia continuamente ao mundo ao qual tinha dado vida com o seu hálito divino, para livrá-lo do mal, que também tentava perpetuar-se sobre a sua superfície, aproveitando cada uma das novas recreações. As suas façanhas aparecem relatadas nas circunstâncias, e esses textos penetram profundamente no fervor popular, porque não há coisa melhor do que poder contar as muitas histórias do deus valente e bondoso. Shiva, por ser o deus destruidor da trindade bramânica, viu-se impelido a adotar papéis cada vez mais terríveis e assim, transformado, radicalmente, desde o seu primitivo caráter de deva benfeitor; chegou a representar o deus implacável a quem se encomendava a ingrata tarefa da destruição, mas nem por isso deixava de dar o melhor de si em benefício das grandes causas, embora tivesse que repetir uma e mil vezes o sacrifício.

Também se fez em breve assumir ao terrível Shiva a tutela da fecundidade, e os signos fálicos elevaram-se por todo o território da Índia em sua honra, num patrocínio lógico de compreender porque, ao ser um deus tão poderoso e valente, não podia deixar de ser o homem desejável ao qual dirigir-se com devoção, para rogar-lhe que comunicasse a graça da sua força e vigor aos filhos esperados.

Há muitos milênios, o deus Visnú começou a sua carreira mitológica como mais uma divindade da natureza, talvez como um deus solar, mas foi galgando postos constantemente, passando para um lugar de máxima importância na trindade trimurtiana, para o segundo lugar, atrás do grande Brahma. Agora, Visnú está à espera da última encarnação do seu ciclo, depois de ter tido nove das dez previstas pelo plano bramânico, tendo já passado pelas do peixe que salvou Manú do dilúvio, a tartaruga que obteve a bebida sagrada do amrita, o javali que voltou a salvar a terra do novo dilúvio, o leão que castigou o blasfemo demônio Hiranya, Trivikrama, o Brâmane anão dos três passos, o Parasurama que venceu os chatrias, o Rama exemplar que se narra no Ramayana, Rama Chandra, o príncipe negro Krisna, Buda.

A décima será o acontecer do gigante com cabeça de cavalo branco, de Visnú como Kalki, vindo à Terra para a batalha definitiva contra o mal, quando se acabe o mundo e Shiva apareça também sobre as ruínas do dia do fim do mundo. Nas populares e muito belas epopéias sacro-poéticas do Ramayana e do Mahabharata, Visnú já se converte no verdadeiro protagonista da lenda, relegando Brahma, o que fora poder eterno, para um segundo plano, enquanto ele se aproxima mais e mais do fervor popular e habita nas moradas paradisíacas, rodeado pelo amor eterno de um milhar de incondicionais pastoras celestiais, as Gopis, e na companhia de Laksmi, divindade do amor, da ciência e da sorte, segundo nos contam os textos do Ramayana. Quando Visnú desce à terra para acompanhar os humanos, fá-lo, geralmente, incorporando-se em um deus de quatro braços, braços que portam o disco, o maço, a concha ou a trompeta, e a espada ou o lótus, emblemas que são representações das suas faculdades e virtudes, como são os símbolos do Sol, da força, do combate contra o mal e o seu justo castigo, respectivamente.

Shiva é a terceira pessoa do Trimurti, embora para os seus fiéis ele seja a primeira e incontestável divindade trinitária. Casado com a também impressionante deusa Parvati, a montanha, que conhece muitas advocacias, desde a de Sati, ou esposa, e Ambiká, ou mãe, até à de Kali, a negra, a deusa da morte. Com a sua esposa Shiva, habita nas regiões que formam o teto do mundo, no Himalaia, no cimo do monte Kailas. Naturalmente, um amor como o da deusa Parvati e o deus Shiva não podia deixar de ser grandioso, e conta-se que, quando, por fim, Shiva e Parvati se uniram pela primeira vez, todo o planeta estremeceu num gigantesco terremoto.

O deus Shiva apresenta-se, às vezes, perante os homens, nu e coberto com a cinza da ascese, com toda a pureza do seu ser, adornado com o sinal inconfundível de um terceiro olho vertical no meio da fronte, com o qual vê tudo, símbolo da sua onisciência, e com o cabelo preso num grande carrapicho, o mesmo que parou a queda da deusa Ganga, a deusa das águas sagradas do rio Ganges, na Terra, absorvendo, com a sua estóica dor, essa imensa quantidade de água, que era tão necessária para a vida do povo indiano. Outras vezes aparece completamente coberto de serpentes, para apontar inequivocamente a sua imortalidade, e armado com o arco Ayakana e o Jinjira, mais o raio e um machado, porque, então, é a personificação do tempo, o deus destrutor.

Quando aparece como deus da justiça, fá-lo montado num touro branco e o seu corpo está coroado por cinco cabeças e um número par de braços, entre dois e dez, empunhando, numa das suas mãos, um tridente no qual estão enfiadas duas cabeças. Na fronte, destaca-se a marca de uma lua em quarto crescente, o seu cabelo vermelho eleva-se como uma tiara e a sua garganta é azul, para recordar que é o Nilakantha, o herói que salvou o mundo de todo o veneno vomitado por Vasuri, o rei das serpentes, e o apanhou na sua mão para bebê-lo depois, queimando a sua garganta divina com a peçonha, antes que deixar que os homens morressem pelo seu efeito.

Entre o Mito e uma possível Realidade

O príncipe Siddharta Gautama, conhecido pela posteridade como Buda (Iluminado), viveu entre os anos 550 e 471 (a.C). Nasceu ao norte de Benarés, em Kapilavastu, com o anúncio feito a Maia, sua mãe, segundo nos conta a sua lenda, de que a sua vida seria a de um rei de corpos, um Kakravartin, ou a de um pastor de almas, um Buddah. Nasceu o prodigioso menino através do costado de Maia, auxiliado por Indra e acompanhado de duas serpentes das águas, duas Nasa, que criam vastas fontes de água quente (Nanda) e fria (Upananda) para lavar a criatura prodigiosa, que perderá, uma semana depois, a sua mãe. O seu pai, o viúvo rei Suddhodana, decidiu rodeá-lo de tudo o mais belo que estava ao seu alcance, para evitar que fosse o homem espiritual que se tinha profetizado, apartando-o daquilo que lhe pudesse fazer pensar nas misérias humanas e pondo-o nas mãos da sua cunhada e nova esposa Mahaprajapati.

Mas Siddharta, no seu retiro perfeito, chegou a ver e a reconhecer o sofrimento alheio, soube da doença e da morte e, sobretudo, viu num asceta a perfeição que o pai queria proporcionar-lhe com presentes e prazeres. Foram os seus quatro encontros: com a velhice, com a doença, com a morte e com a serenidade. Então, e após vencer qualquer classe de tentações postas pelo seu pai, o príncipe Gautama, que tinha casado com a mais bela das donzelas, com Gopa, e já tinha um filho, decidiu seguir o exemplo do asceta, abandonando o mundo de esplendor do seu pai. Segundo se conta, Siddharta tinha vinte e nove anos quando decidiu abandonar tudo para procurar a verdade, e ainda passou outros seis anos percorrendo a Índia na companhia do seu fiel Chandaka, procurando essa serenidade admirável no anônimo frade, mas o seu esforço não se via recompensado pelo êxito; não tinha encontrado o mestre procurado nem alcançado o estado desejado.

Por fim, na solidão de uma noite de Bodh-Gaya, quando se encontrava praticamente à beira da desesperança, sob os ramos da árvore Bo, Gautama foi iluminado e, com a força da verdade, o Buddha começou o seu caminho de pregação à boa gente que encontrava no seu caminho. A sua verdade era simples, nada há de permanente num Universo mutante, num Universo no qual os nossos atos, e não os deuses, nos premiam ou castigam com um novo nascimento em que o nosso ser, emigrado, alcançará um estado mais perfeito ou mais imperfeito, segundo os méritos da nossa própria vida, segundo tenha sido de triunfal a sua luta contra os anseios e as paixões.

A doutrina de Buda desenvolveu-se com força na Índia e fora dela, mas, pouco a pouco, a sua implantação no território onde nasceu foi perdendo força, mudando-se com mais vigor para o outro lado dos confins do norte, no reduto inacessível do Tibete, e atravessando mais tarde para o este, chegando à península da Indochina, à China, Mongólia, Coréia e Japão, para ficar definitivamente assentada no Extremo Oriente.

Também com o decurso do tempo, a doutrina simples e quase atéia de Buda se foi enriquecendo com elementos alheios, dando ao asceta Buda uma dimensão divina da qual ele teria fugido envergonhado e confuso, e pondo junto dele toda uma corte de deuses tradicionais, até fazer crescer, da mera idéia filosófica da renúncia, todo um bosque de personagens mitológicos, onde permaneciam parte do Brahma original e, sobretudo, do Indra do culto védico, agora reduzidos a pessoas santas do budismo e transformados até no seu aspecto, com Indra batizado Sacra, à frente de uma ordem celestial de trinta e três deuses, à espera de receber a ordem de Buda para ir em sua ajuda com o vayra sagrado, para lutar a seu lado contra Mara, o novo demônio da tentação, o rei dos prazeres.

Este Mara, que reina na Terra, no Inferno e nos seis andares inferiores do Céu, tem, sob as suas ordens, um exército de demônios e serve-se das suas três filhas, Sede, Desejo e Prazer, como avançadas do seu mundo de pecado.

O príncipe iluminado, vencido pela necessidade de uma religião que se adaptasse à tradição indiana, transformou-se num deus múltiplo no tempo, no protótipo da transmigração incessante, numa pessoa divina que tinha vivido em muitas ocasiões, como se o personagem sagrado se tivesse encharcado também da essência de Visnú e das suas circunstâncias, num deus que operava milagrosamente e que se multiplicava na Terra em outros seres humanos, dado que, mediante o exato cumprimento da sua doutrina, ia dando lugar ao nascimento de inumeráveis Bodhisattvas daqueles humanos santificados, que iriam progredindo no caminho da transmigração, até chegarem a ser também outro novo Buda numa futura reencarnação, quando os seus méritos acumulados assim os recompensassem com a divindade.



Também se viram desde os Veda os antigos Gandharva, mas agora a cargo da música do Céu, e fizeram-no como auxiliares de um dos quatro Lokapalas, os soberanos dos quatro rumos. Estes Lokapalas estão a cargo dos pontos cardeais: no Norte está Kubera, com os também tradicionais Yaksas, os antigos auxiliares de Shiva; no Este Dhritarastra, governando sobre os Gandharva; no Sul está Virudhaka, senhor dos pequenos gênios anões; no Oeste o senhor é Virupksa, com as suas serpentes aquáticas Nasa, donas da chuva. Junto dos demônios de Mara e das suas filhas, que conhecem as trinta e duas magias das mulheres e as sessenta e quatro dos desejos, há outras criaturas infernais, desde os desgraçados espíritos emigrantes Pretas, míseras almas penadas, ao legendário Davadatta, o primo de Buda e traidor, passando por Hariti, a deusa da doença negra, da varíola, mãe de quinhentos demônios, que foi transformada numa mulher bondosa por Buda, ao ver o amor que sentia pelos seus filhos.

Com estes e muitos mais deuses, o asséptico corpo primigênio do ascetismo budista foi-se enchendo de personagens locais, cobertos de atributos e também de ornamentos e, ainda mais, se foi tornando mais e mais barroco, à medida em que, nos diferentes lugares da Ásia, se ia apropriando de divindades locais para o seu novo panteão, como é o caso dos mais representativos Bodhisattvas, Mitreya, Manjusri e Tara (que tinha sido deusa da energia na Índia e passa a ser encarnação de Buda) no Tibete, ou a multidão de divindades existentes associadas a Buda ou aos Bodhisattvas na China e Japão.

Buda, o asceta histórico original, esvai-se perante a série de Buddahs que já alcançaram o Nirvana, o repouso eterno, e ele só é o Gautama ou o Sakiamuni, e não haverá mais até chegar o Mitreya do último tempo, enquanto uma nova família de Buddahs celestes reina num também novo e heterodoxo Paraíso encravado no mais elevado.

Finalmente, o budismo doutrinal evoluiu, transformando a sua essência tanto como o seu aspecto formal, e do metta da serenidade chegou-se ao bhakti da sensibilidade e do amor, para que no karma também se inscrevam a renúncia e os sacrifícios, abrindo-se o ser humano, da individualidade primigênia do budismo até chegar à doutrina da necessidade de transferir a graça alcançada por um mesmo para os outros, para o próximo.

Quase mil anos depois de Buddah, na mesma época em que nasce o hinduísmo, Nataputta ou Vardhamana, alcunhado Mahavira (o Grande) e Jina (Vencedor), funda o Janismo. Em efeito, era filho de uma personalidade, mas aos trinta anos morreram os seus pais e esse acontecimento levou-o a repartir as suas riquezas e sair à procura da verdade, numa longa peregrinação que desembocou numa rebelião religiosa contra o Brahmanismo.

O Janismo é uma religião sem deuses e que procura alcançar, na transmigração, a paz do espírito, nas suas duas vertentes; digambara e svetambara, a nudez total ou hábito branco.

O janista leva vida eremita, com a esmola como simples forma de supervivência e o respeito extremo a qualquer ser vivo, com um especial ênfase na proteção dos animais, para alcançar a liberdade pelo triratna: conhecimento, fé e virtude.

A fé alcança-se com a leitura dos Agamas do Mahavira; a virtude exige não matar, não roubar, não mentir, a castidade e a renúncia total. Para o janismo, o Universo divide-se em duas partes: uma material, sem vida (adjiva) e outra viva (atman), que se liberta da matéria pelo dharma das suas obras e fica apanhada no karma das suas faltas, no seu caminho para a perfeição do siddha, o nirvana janista.

O sincretismo sij foi fundado pelo guru Nanak nos finais do século XV, procurando a união de hinduísmo e Islã. O guru Arjam escreveu em gurmuji, em pujabi, o que seria depois o texto sagrado do Adigrant, recompilando os ensinos de Nanak sobre um único deus e um mundo sem castas, no qual as almas conhecem a reencarnação em virtude da perfeição e da pureza que tenham sabido conseguir na sua vida anterior. E assim se reencarna o guru Nanak nos sucessivos gurus que governam o culto sij. A obra de Arjam foi escrita, precisamente, numa época de perseguição muçulmana, o que levou este grupo religioso punjabi a transformar-se em temíveis guerreiros. À parte da humildade e da sinceridade, a alimentação omnívora (perante o vegetarianismo hindu e os alimentos proibidos dos muçulmanos) e rejeitar a divisão em castas, os sijs distinguem-se pelos seus turbantes e pela obrigação de conservar sempre o seu cabelo.


DIVINDADES INDIANAS


Brahma, O criador - Para os Hindus, o universo vive sendo destruído para ser reconstruído novamente por Brahma, eternamente. Sem ele nada existiria. É o primeiro deus da Trindade Hindu: Brahma, Vishnu e Shiva. O Deus Criado,r considerado outrora o maior dos deuses porque colocava o universo em movimento, decresceu de importância com a ascenção de Shiva e Vishnu. Aparece de manto branco, montando um ganso. Possui quatro cabeças, das quais nasceram os Vedas, que ele leva nas mãos, junto com um cetro e vários outros símbolos.

Brahma, além de Criador, é o principio de harmonia e equilíbrio entre Vishnu (Deus da Preservação) e Shiva (associado à destruição), cada um representando um aspecto do Universo. Em relação ao nascimento de Brahma, deve-se registrar que a história do “Ovo Cósmico” é apenas uma dentre várias outras que narram a origem e o papel desse deus. Noutra versão, ele teria nascido de uma flor de lótus que brotou do umbigo de Vishnu, para só então dar inicio ao seu trabalho de criação, o que implica em certa subordinação de Brahma em relação a Vishnu. Também se diz que Brahma criou uma filha do próprio corpo,  por quem se apaixonou e se uniu, dando origem ao primeiro homem, chamado de MANU. O Deus Brahma é descrito como um homem de pele vermelha, dotado de quatro braços e de quatro cabeças, as quais ficam voltadas para os quatro pontos (cardeais) do Universo. Com seus oito olhos, mantém-se atento à sua Criação, e montado num “Ganso Sagrado”, percorre o Céu para observar o Mundo.

Nas mãos carrega vários objetos:

1°) um rosário que serve para manter a ordem no Universo;
2°) um pote de água que utiliza para criar vidas;
3°) uma flor de lótus e os VEDAS (aliás, geralmente, seu trono é representado por esta flor).


Sentado nela, Brahma irradia a energia da Criação, enquanto cada uma das quatro cabeças recita um dos vedas. Esta forma de representação ocorre porque, durante sucessivas gerações, os ensinamentos ali contidos foram transmitidos oralmente e, segundo a tradição, esta forma de transmissão teve, no inicio, o auxilio de Brahma. Segundo alguns teólogos, os vedas originaram-se do sopro de Vishnu, e Brahma foi o primeiro a recebê-los com a incumbência de transmiti-los para o mundo dos deuses e para o mundo dos homens. Ainda segundo a tradição, os sacerdotes brâmanes nasceram da boca do deus Brahma e foram os únicos a receber (dele) os ensinamentos contidos nos vedas. Estes sacerdotes eram considerados os intermediários entre os humanos e os deuses (aproximadamente como padres, pastores e rabinos) e, destarte, cabia-lhes difundir estes ensinamentos ao povo. Esta importância culminou na formação do chamado “HINDUISMO BRAMÂNICO”, onde os Brâmanes ocupavam a casta mais elevada, e Brahma era tido como o deus principal. Apenas no século XIX d.C. é que esta crença passou a ser chamada de hinduísmo. Atualmente o deus Brahma não é mais objeto de uma adoração tão profunda. Com a ascensão de Shiva e de Vishnu, ele foi relegado a um segundo plano.

Porém, uma lenda protagonizada pelo sábio BRAHMARISHI BHIRGU propõe outra versão para o fato de não serem comuns as homenagens a Brahma: conta-se que, certa vez, os Seres Humanos decidiram organizar um grande ritual que deveria ser presidido pelo mais importante dos deuses e o escolhido foi Brahma. Porém, quando o sábio tentou convidá-lo, o deus estava atento à música cantada por sua esposa Saravasti e não ouviu os chamados. Revoltado, Bhirgu amaldiçoou Brahma a nunca mais ser venerado. Lendas e maldições à parte, o fato de ser um “deus criador” não lhe garantiu o posto mais alto na hierarquia celeste porque, assim como os outros, ele representa apenas um dos aspectos de Brahman (o Ser Supremo). Neste caso, seria a manifestação masculina e criadora de uma Entidade Abstrata, neutra, sem forma. Quando comparado aos outros deuses da Trimurti, Brahma assume uma posição secundária (numa referência à pouca importância da matéria que criou), e a própria grafia de seu título “deus criador” sofre restrições.

Na Índia, as palavras “criador” e “deus” são escritas em letras minúsculas o que significa que aquele que “cria” não é uma divindade que detenha o poder total. Ele “cria” apenas pela graça de Vishnu ou de Shiva. É, portanto, um mero cumpridor de ordens superiores. Brahma também não é um deus eterno. Os hindus calculam que ele existirá durante “cem anos celestiais” (aproximadamente quatro milhões de anos da Terra) e quando ele findar, o Universo que criou acabará. Então, outro Universo nascerá e outro deus demiurgo ocupará o posto de Criador.

Igualmente, um aspecto que deve ser mencionado relaciona-se com o fato de Brahma sempre ser representado com as “Quatro Cabeças”: Uma história de amor e de incesto explica a origem destas “Quatro Cabeças”. Sentindo-se sozinho, criou de seu próprio corpo uma deusa chamada de Saravasti (deusa da sabedoria). Ao perceber os olhares maliciosos de Brahma, ela se moveu para a direita e com isso fez nascer uma cabeça no mesmo lado do corpo do deus. Depois, correu para a esquerda e para trás e mais duas cabeças emergiram em Brahma; quando Saravasti fugiu para o céu uma quinta cabeça brotou, mas esta última foi queimada por INDRA como castigo pelo desejo incestuoso.

Por fim, Saravasti aceitou casar-se com Brahma e dessa união é que se originaram as criaturas vivas.

Vishnu, o conservador - Para muitos hindus o deus universal. Traz em geral quatro símbolos: um disco, um búzio, uma maçã e uma flor de lótus. Sempre que a humanidade precisa de ajuda, esse deus benévolo aparece na Terra como um avatar ou reencarnação. “Aquele que toma muitas formas” não era proeminente nos Vedas, mas tornou-se uma importante divindade e um membro da trindade Hindu. Ele preserva o universo.

VISHNU é o deus principal da trindade hindu, representa SATTVAGUNA, o modo da bondade, e é responsável pela sustentação, proteção, e manutenção do universo. VISHNU é a fonte original de todos os Avatares e deuses. Ele está presente em cada átomo da criação, bem como no coração de todos os seres. 

A palavra Vishnu significa "aquele que tudo penetra", ou "aquele que tudo impregna". 

É apresentado de duas formas principais: 

Deitado em uma serpente de mil cabeças, flutuando num oceano de leite. Neste caso é chamado de Narayana, aquele que mora nas águas cósmicas. De seu umbigo sai um lótus onde está Brahma, o criador. A seus pés está Lakshmi, representando a beleza e a riqueza que devem se curvar diante do Absoluto. Envolvendo o lótus está uma serpente, Shesha, ou Ananta, que simboliza a eternidade. Ela possui mil cabeças voltadas para o Senhor Vishnu, representando o ego com seus mil desejos e pensamentos que reconhecem o Absoluto. 

Vishnu é representado também em pé, sobre um lótus ou uma serpente. Representa o sábio indicando a busca do conhecimento. Apresenta quatro braços, tendo em cada mão um lótus (o conhecimento que sustenta a pureza da mente), um disco (a destruição da ignorância e dos apegos), uma concha (a origem da existência, os cinco elementos) e uma arma, a massa (o poder do conhecimento, o poder do tempo). 

Vishnu é tido como o preservador do universo, enquanto os dois outros deuses maiores, Brahma e Shiva, são considerados os criadores e destruidores do universo, respectivamente. Os seguidores de Vishnu são chamados Vaishnavites. 

Como preservador do cosmos, Vishnu mantém as leis do universo. Ao contrário de Shiva, que freqüentemente busca refúgio na floresta para meditar, Vishnu constantemente participa de conquistas amorosas. 

Enquanto a ordem prevalece no universo, Vishnu dorme. Assim como Shesha, flutua através do oceano cósmico, dando sustentação à Vishnu; o universo surge do sonho de Vishnu. Mas quando há desequilíbrio no universo, Vishnu se utiliza de seu veículo, Garuda, e guerreia com as forças do caos, ou ele envia um de seus avatares (ou encarnações) para salvar o mundo. 

Acredita-se que Vishnu teria dez avatares, sendo os mais populares Rama e Krishna. A lista completa dos dez avatares é a seguinte: 

1. O peixe Matsya 
2. A tartaruga Kurma 
3. O urso Varaha 
4. O homem-leão Narasimha 
5. O anão Vamana 
6. O padre guerreiro Parashurama 
7. O príncipe Rama 
8. O pastor de animais Krishna 
9. Buddha-Mayamoha 
10. O cavaleiro Kalki

Sua Shakti, ou seja, seu aspecto feminino, sua consorte é Lakshmi, deusa da prosperidade, riqueza e da beleza. 

Shiva, O destruidor - Um dos dois deuses mais poderosos do hinduísmo. Apresenta-se de várias formas: o extremado asceta, o matador de demônios, envolvido por serpentes e com uma coroa de crânios na cabeça, o senhor da criação a dançar num círculo de fogo ou o símbolo masculino da fertilidade. Mais que os outros deuses, é uma mistura de cultos, mitos e deuses que vem desde a pré-história da Índia.

Shiva ou Xiva é um deus ("Deva") hindu, o Destruidor (ou o Transformador), participante da Trimurti juntamente com Brama (Brahma), o Criador, e Vixnu (Vishnu), o Preservador.

Uma das duas principais linhas gerais do hinduísmo é chamada de xivaísmo, em referência ao deus.


Na tradição hindu, Shiva é o destruidor, que destrói para construir algo novo, motivo pelo qual muitos o chamam de "renovador" ou "transformador". As primeiras representações surgiram no período Neolítico (em torno de 4.000 a.C.) na forma de Pashupati, o "Senhor dos Animais". A criação da ioga, prática que produz transformação física, mental e emocional, portanto, intimamente ligada à transformação, é atribuída a ele.

Shiva é o deus supremo (Mahadeva), o meditante (Shankara) e o benevolente, onde reside toda a alegria (Shambo ou Shambhu).

O trishula - O tridente que aparece nas ilustrações de Shiva é o trishula. É com essa arma que ele destrói a ignorância nos seres humanos. Suas três pontas representam as três qualidades dos fenômenos: tamas (a inércia), rajas (o movimento) e sattva (o equilíbrio)

A serpente - A naja é a mais mortal das serpentes. Usar uma serpente em volta da cintura e do pescoço simboliza que Shiva dominou a morte e tornou-se imortal. Na tradição da ioga, ela também representa kundalini, a energia de fogo que reside adormecida na base da coluna. Quando despertamos essa energia, ela sobe pela coluna ativando os centros de energia (chakras) e produzindo um estado de hiperconsciência (samádhi), um estado de consciência expandida.

Ganga - No topo da cabeça de Shiva se vê um jorro d'água. Na verdade é o rio Ganges (Ganga) que nasce dos cabelos de Shiva. Há uma lenda que diz que Ganges era um rio muito violento e não podia descer à Terra pois a destruiria com a força do impacto. Então, os homens pediram a Shiva que ajudasse, e ele permitiu que o rio caísse primeiro sobre sua cabeça, amortecendo o impacto e depois, mais tranqüílo, corresse pela Terra.

Lingam - Lingam ("emblema", "distintivo", "signo"), também chamado de linga, é o símbolo fálico de Shiva. Ele representa o pênis, instrumento da criação e da força vital, a energia masculina que está presente na origem do universo. Está associado ao poder criador de Shiva.

O lingam é o emblema de Shiva. Na Índia, reverenciar o lingam é o mesmo que reverenciar a Shiva. Ele pode ser feito em qualquer material, embora o preferido seja o de pedra negra. Na falta de uma escultura, se constrói um lingam com a areia da praia ou do leito do rio; ou simplesmente se coloca em pé uma pedra ovalada.

É comum, nos templos, se pendurar sobre o lingam uma vasilha com um pequeno orifício no fundo. A água é derramada constantemente sobre ele numa forma de reverência. A base do lingam representa yoni, a vagina, mostrando que a criação se dá com a união do masculino e feminino.

Damaru - O tambor em forma de ampulheta representa o som da criação do universo. No hinduísmo, o universo brota da sílaba /ôm/. É interessante comparar essa afirmação com a conhecido prólogo do Evangelho de São João: "No princípio era o Verbo (a sílaba, o som). E o Verbo era Deus. (...) Tudo foi feito por Ele (o Verbo) e sem Ele nada se fez."

É com o som do damaru que Shiva marca o ritmo do universo e o compasso de sua dança. As vezes, ele deixa de tocar por um instante, para ajustar o som do tambor ou para achar um ritmo melhor e, então, todo o universo se desfaz e só reaparece quando a música recomeça.

Fogo - Shiva está intimamente associado ao fogo, pois esse elemento representa a transformação. Nada que tenha passado pelo fogo permanecerá o mesmo: o alimento vai ao fogo e se transforma, a água se evapora, os corpos cremados viram cinzas. Assim, Shiva nos convida a nos transformarmos através do fogo da ioga. O calor físico e psíquico que essa prática produz nos auxilia a transcender nossos próprios limites.

Nandi - Nandi ("aquele que dá a alegria") é o touro branco que acompanha Shiva, sua montaria e seu mais fiel servo. O touro está associado às forças telúricas e à virilidade. Também representa a força física e a violência. Montar o touro branco significa dominar a violência e controlar sua própria força.

Sua devoção por seu senhor é tão grande que sempre se encontra sua figura diante dos templos dedicados a Shiva. Ele está deitado, guardando o portão principal.

A lua crescente - A lua, que muda de fase constantemente, representa a ciclicidade da natureza e a renovação contínua a qual todos estamos sujeitos. Ela também representa as emoções e nossos humores, que são regidos por esse astro. Usar um crescente nos cabelos simboliza que Shiva está além das emoções. Ele não é mais manipulado por seus humores como são os humanos, ele está acima das variações e mudanças, ou melhor, ele não se importa com as mudanças pois sabe que elas fazem parte do mundo manifesto. Os mestres que se iluminaram afirmam que as transformações pelas quais passamos durante a vida (nascimento e morte, o final de uma relação, mudança de emprego, etc.) não afetam nosso ser verdadeiro e, portanto, não deveríamos nos preocupar tanto com elas.

Nataraja - Neste aspecto, Shiva aparece como o rei (raja) dos dançarinos (nata). Ele dança dentro de um círculo de fogo, símbolo da renovação e, através de sua dança, Nataraja cria, conserva e destrói o universo. Ela representa o eterno movimento do universo que foi impulsionado pelo ritmo do tambor e da dança. Apesar de seus movimentos serem dinâmicos, como mostram seus cabelos esvoaçantes, Shiva Nataraja permanece com seus olhos parados, olhando internamente, em atitude meditativa. Ele não se envolve com a dança do universo pois sabe que ela não é permanente. Como um yogue, ele se fixa em sua própria natureza, seu ser interior, que é perene.

Vayu, O vento - Vayu significa vento, porém é traduzido como “ar vital”, o elemento ar. Inicialmente nos Vedas, Váyu representava o deus do vento, o senhor da vida, e ultrapassava os limites biológicos, abarcando todo o universo material, ou seja, tudo tem vida. Posteriormente, o conceito de váyu foi substituído por prána, e a partir de então, o termo váyu passou a designar os sub-pránas (upa-pránas) que circulam pelo corpo todo através das nádís, canais fisiológicos sutis. Os váyus nágadis são levados para alimentar o nosso corpo exterior (bahirakarana) que controla os movimentos dos músculos e algumas reações físicas. Eles são cinco: nága váyu, kúrma váyu, krikára váyu, devadatta váyu, dhananjaya váyu.

Já os váyus pránadis pertencem ao corpo interior (antahkarana) e controlam atividades sutis e demais funções orgânicas. Estes também são cinco ao todo: prána váyu, apána váyu, samána váyu, udána váyu, vyána váyu. Os cinco nágadis desempenham as seguintes funções: nága (serpente) provoca a eructação e soluço, e é a causa da consciência; Kúrma (tartaruga) provoca o pestanejar e é a causa da visão; krikára (o que faz kri) provoca a tosse, o espirro, e é a causa da fome e da sede; devadatta (dádiva divina) é a causa do bocejo; dhanamjaya (conquistador de riquezas) é o que mantém a saúde, impregna por inteiro o corpo material, não o abandona nem depois da morte e se decompõe junto com o corpo, e é a causa do som.

Os cinco pránadis também realizam tarefas: prána, um dos mais importantes sub-pránas, está localizado no tórax na altura do coração, e tem a função absorvente e atrativa de controlar a inspiração, tirando do ambiente os nutrientes necessários à vida; apána, localizado no baixo ventre e na parte inferior do tronco - ânus, responsável pelos processos de excreção (fezes, urina e emissão de sêmen), expelindo os elementos que não necessita. De ação propulsora e desintegradora, é o alento vital descendente; samána, localizado na parte média do tronco (umbigo), facilita a assimilação do prána e regula a digestão; udána, localizado na cabeça e garganta, tem a função de controlar a deglutição e a força muscular; vyána permeia tudo e move-se por todo o corpo, controla a circulação do sangue e regula a distribuição dos outros quatro váyus no organismo e a tonificação do sistema nervoso.

Indra, Deus da Guerra - Indra é o deus das tempestades e da guerra no hinduísmo, filho de Aditi com o sábio Kashyapa. Rei de todos os deuses no passado, perdeu importância no período pós-védico. A lenda relata sua fúria quando seus seguidores abandonaram seu culto e passaram a venerar Krishna. Quando Indra enviou uma tempestade para puní-los, eles oraram a Krishna, que ergueu uma montanha para protegê-los da força da tormenta.

Diz-se que Indra não é propriamente um indivíduo, mas o nome genérico para o rei dos céus. 


Ao executar certos sacrifícios e penitências, um mortal pode ascender ao paraíso e tornar-se o rei dos céus.

Seu reino deve durar até que outra pessoa torne-se elegível para sua posição. Diz-se que, ao executar mil sacrifícios de Ashwamedha, uma pessoa torna-se elegível para ser Indra. Assim sendo, o Indra em exercício sempre teme por sua posição e permanece atento aos mortais que realizam sacrifícios e penitências, cuidando para que eles não cumpram as condições para destroná-lo.

Agni, o Deus do Fogo - Agni é uma divindade Hindu. A palavra agni é Sânscrito para "fogo" (nome), com a mesma origem do Latim ignis.

No Hinduísmo, ele é um deva, segundo no poder e importância atribuída na mitologia védica, apenas ultrapassado por Indra. Ele é gémeo de Indra, e assim, filho de Dyaus Pita e Prthivi. Noutra versão, ele é filho de Kasyapa e Aditi ou de uma rainha que escondeu a sua gravidez do marido. Ele possui dez mães, ou dez irmãs, ou dez criadas, que representam os dez dedos do homem que inicia o fogo. Ele possui dois pais: estes representam os dois paus que, quando ambos friccionados de modo intenso, criam fogo. Alguns dizem que destruiu os seus pais quando nasceu porque não poderiam tomar conta dele. É casado com Svaha e pai de Karttikeya, através de Svaha ou Ganga. Ele é um dos Ashta-Dikpalas, encarregado de guardar e representar o Sudeste.

Os sacrifícios a Agni vão para as divindades porque Agni é um mensageiro dos deus e para os deuses. Ele é eternamente jovem, porque o fogo é re-aceso todos os dias; mas, ele também é imortal.

Em algumas histórias acerca dos deuses hindus, Agni é aquele enviado para a frente nas situações perigosas.

O Rigveda frequentemente diz que Agni eleva-se das águas ou que reside nas águas. Ele poderá ter sido originalmente o mesmo que Apam Napat.

Embora os sacrifícios védicos de fogo (yagya) tenham desaparecido largamente na maioria do Hinduísmo, Agni e o sacrifício de fogo ainda é parte do ritual de qualquer casamento Hindu moderno, onde Agni é tido como o chefe sakshi ou testemunha do casamento e guardião da santidade do casamento. De fato, sem as tradicionais 7 voltas em redor do fogo sagrado, perante a atual Lei Matrimonial Hindu o casamento é considerado nulo.

Agni em outras religiões - No Zoroastrismo, ele é Atar, literalmente fogo, que simbolicamente representa a força radiante e criadora de vida de Ahura Mazda. No Budismo Indo-Tibetano, ele é um lokapala, guardando o Sudeste. (Veja-se, por exemplo, jigten lugs kyi bstan bcos = "Faz o teu coração no canto Sudeste da casa, que é o local de Agni"). Ele também possui um papel central na maioria dos ritos homa (fogo puja).

Surya, o Deus Sol - em sânscrito सूर्य (sūrya), deus Sol hindu, adorado nos Vedas, as Escrituras Sagradas da Índia. Filho de Aditi (Espaço), a Mãe de todos os deuses. Esposo de Sañjñā (Consciência Espiritual). Habitava a esfera solar (Sūryaloka) e seu Reino se estendia até Sūryamaṇḍala, a extensão do espaço, até onde os raios do Sol alcançam. Segundo a lenda, Surya banha-se todo pôr do sol nos sagrados rios Ganges e Yamuna. Seus seguidores eram conhecidos como Sūryabhaktas.

Surya é a Deidade Solar-Chefe. Na literatura hindu, Surya é notadamente mencionado como sendo o aspecto visível de Deus, aquele que a pessoa pode ver todos os dias. O Deus Surya é conhecido pelos shaivites e pelos vaisnavas como sendo um aspecto de Shiva e Visnu. O deus Sol era louvado na Índia antiga como o símbolo da vida eterna e da saúde. Surya, para os vedas, tinha a tradução de "alma que habita todos os seres, animados ou inanimados". Surya, o deus do Sol, é um entre os poucos Devas que goza alguma popularidade entre o Hinduismo moderno. Nos tempos antigos, ele foi considerado uma outra deidade criadora, e muitos templos foram devotados a ele. Também conhecido como Savita, ele é o pai de Yama e Yami, os primeiros seres humanos. Eventualmente, sua posição predominante é eclipsada por Vishnu, que por si mesmo é identificado como o Sol, sendo agora adorado entre as deidades planetárias. 

Surya viaja através do céu na sua carruagem puxada por sete cavalos ou, alternadamente, um cavalo com sete cabeças, que é conduzida por Arum. Ele leva em suas mãos um Chakra (roda) da luz do sol, um Padma (lótus) e um Sankha (concha); sua mão erguida é um sinal de proteção. É dito que Surya é uma das oito formas de Shiva, cujo nome é Astamurti. Surya também é chamado de Surya Narayana. 

Suástica é o simbolo do Deus do Sol - O símbolo sagrado do Senhor Surya é o Swástica, o qual representa as quatro fontes da vida e do conhecimento. Os primeiros Aryanos olharam para o Sol como sendo a origem da energia da vida. De fato, tudo o que vive na Terra deve-se à presença do Sol. Eles esculpiram, de modo primoroso, templos para venerá-lo. Um símbolo especial para visualizá-lo e que representa a energia do Sol e munificência é o Swástika. Os Hindus desenham a Swástika em vermelho sobre documentos de negócios e nas roupas da noiva para uma boa sorte. Eles também a desenham nos muros e soleira da porta de suas casas para dar energia ao ambiente. Naturalmente ligada com o brilho do ouro, a Swástika é como um medalhão esperando uma corrente de ouro - um talismã que protege da escuridão, do desespero e do perigo. A palavra Swástika significa “tudo-bem”. Na sua forma curta “swásti”, é comumente usada em todos os sacramentos e cantos cerimoniais. A figura deste símbolo foi criada a partir dos quatro pontos cardeais, nos quais as varinhas são colocadas para dar início aos sacrifícios de fogo védicos. Quando a Swástika gira no sentido horário ela absorve energia do Universo, no sentido de auto-salvação de quem a usa. No sentido anti-horário, ela emite energia, oferecendo salvação ao próximo. A Swástika original é um símbolo muito bom, pois representa o macro e o microcosmos. As galáxias são estruturas dessa forma (sentido de pás que giram no sentido horário e anti-horário). Nossos centros de força – chacras – também possuem esse desenho da Swástika.



A LENDA DE SURYA E O REI PRIYAVATA

Enquanto governava o Universo, o rei Priyavata certa vez ficou insatisfeito com a maneira como o poderosíssimo Deus do Sol fazia sua iluminação: circundando o monte Sumero, montado em sua quadriga, o Deus do Sol iluminava todos os sistemas planetários. Contudo, quando o Sol encontrava-se do lado setentrional do Monte, o sul recebia menos luz, e quando o Sol encontrava-se ao sul, o norte recebia menos luz. Então o rei Priyavata, não gostando dessa situação, decidiu ele mesmo iluminar a parte do universo onde estivesse escuro. Montado em uma brilhante quadriga, Priyavata seguiu a órbita do Deus do Sol, satisfazendo seu desejo.


OS DOZE MESES DO TRAJETO DO DEUS DO SOL

O Sol viaja entre todos os planetas e assim rege o movimento deles. O Senhor Visnu, a Alma Suprema de todos os seres corporificados, foi quem o criou através de sua energia material, sem princípio.

Surya, por não ser diferente do Senhor Hari, é a única alma de todos os mundos e seu criador original. A Suprema Personalidade de Deus, manifestando sua potência do tempo  com o Deus do Sol, viaja, em cada um dos doze meses, para reger o movimento planetário dentro do Universo. Um conjunto diferente de seus companheiros viaja com o Deus do Sol em cada um dos doze meses.

1) Dhata como o Deus do Sol, Krtasthah como a apsara, Heti como o raksasa, Vasuki como o naga, Rathakrt como o yaksa, Pulastya como o sábio e Tumburu como o gandharva, regem o mês de “Madhu”.

2) Aryama como o Deus do Sol, Pulaha como o sábio, Athauja como o yaksa, Praheti como o raksasa, Punjikathali como a apsara, Narada como o gandharva e Kacchnira como o naga, regem o mês de “Madhava”.

3) Mitra como o Deus do Sol, Atri como o sábio, Pauruseya como o raksasa, Taksaka como o naga, Menaka como a apsara, Haha como o gandharva e Rathasvana como o yaksa, regem o mês de “Sukra”.

4) Vashita como o sábio, Varuna como o Deus do Sol, Rambha como a apsara, Sahajanya como o raksasa, Huhu como o gandharva, Surya como o naga e Cistrasvana como o yaksa, regem o mês de “Suci”.

5) Indra como o Deus do Sol, Visvavasu como o gandharva, Srota como o yaksa, Elapatra como o naga, Angira como o sábio, Pramloca como a apsara e Varya como o raksasa, regem o mês de “Nabhas”.

6) Visvasvan como o Deus do Sol, Ugrasena como o gandharva, Uyaghra como o raksasa, Asarana como o yaksa, Bhrgu como o sábio, Anunloca como a apsara e Sankhapala como naga, regem o mês de “Nabhasya”.

7) Puds como o Deus do Sol, Dhananjaya como naga, Vata como o raksasa, Susena como o Gandharva, Suruci como o yaksa, Ghrtaci como a apsara e Gautama como o sábio, regem o mês de “Tapas”.

8) Rtu como o yaksa, Varca como o raksasa, Bharadvaja como o sábio, Parjanya como o Deus do Sol, Senakit como a apsara, Visva como o gandharva e Avavata como o naga, regem o mês de “Tapasya”.

9) Amsu como o Deus do Sol, Kadyspa como o sábio, Taksaya como o yaksa, Rtsena como o gandharva, Vrsasi como a apsara, Vidyucchatru como o raksasa e Mahasankha como naga, regem o mês de “Sahas”.

10) Bhaga como o Deus do Sol, Spurja como raksasa, Aristameni como o gandharva, Urna como o yaksa, Ayur como o sábio, Karkotaka como o naga e Purvacitti como a apsara, regem o mês de “Pusya”.

11) Tvasta como o Deus do Sol, Jamadagni, o filho de Rcika, como o sábio, Kambalasva como o naga, Tilottama como a apsara, Brahmapeta como o raksasa, Satajit como o yaksa e Dhrtarastra como o gandharva, regem o mês de “Isa”.

12) Visnu como o Deus do Sol, Asvatara como o naga, Rambha como a apsara, Suryavarca como o gandharva, Satyajit como o yaksa, Visvamitra como o sábio e Makhapeta como o raksasa, regem o mês de “Urja”.

Todas essas personalidades são expansões opulentas da Suprema Personalidade de Deus, Visnu, sob a forma do Deus do Sol. Esses deuses afastam todas as reações pecaminosas daqueles que se lembram deles todos os dias na “aurora” e no “por do Sol”.  Desse modo, durante os doze meses, o Senhor do Sol viaja em todas as direções com suas seis espécies de companheiros, disseminando, entre os habitantes deste Universo, a pureza para a consciência para esta vida e a próxima.  Enquanto os sábios glorificam o Deus do Sol com os hinos dos sama, Rg e Yajur Vedas, que revelam sua identidade, os gandharvas cantam seus louvores e as apsaras dançam diante de sua Quadriga Dourada. Os nagas amarram as cordas da Quadriga e os yaksas atrelam os cavalos à Quadriga, enquanto os poderosos raksasas empurram de trás. De frente para a Quadriga, os sessenta mil brahmanas sábios, conhecidos como valakhilias, viajam na dianteira e, com mantras védicos, oferecem orações ao Onipotente Deus do Sol. 

Durga, aquela que nasceu adulta - Durga, que é outra forma de Parvati como uma deusa feroz de dez braços, nasceu já adulta das bocas flamejantes de Brahma, Shiva e Vishnu. Montada num tigre, usa as armas dos deuses para combater os demônios.

No Hinduísmo, Durgha (sânscrito: a inacessível" [1] ou "a invencível" [2]) ou Maa Durga (Mãe Durga) é uma forma de Devi, a deusa suprema. A Deusa Durgha é considerada pelos hindus como a mãe de Ganesha, Kartikeya, assim como de Saraswati e Lakshmi [3]. Ela é considerada a forma da esposa de Shiva, a deusa Parvati, como caçadora de demônios.

Durgha é descrita como um aspecto guerreiro da Devi Parvati com 10 braços, que cavalga um leão ou um tigre, carrega armas e assume mudras, ou gestos simbólicos com a mão. Esta forma da Deusa é a encarnação do feminino e da energia criativa (Shakti).

A Grande Deusa Durgha é dita ser requintadamente bela. Sua imagem é extremamente brilhante (devi), com três olhos como lótus, dez poderosas mãos, cabelos exuberantes com formosos anelados, um vermelho-dourado brilhante de sua pele e um quarto crescente em sua testa. Ela usa um brilhante traje azul marinho que emite raios. Seus ornamentos foram lindamente esculpidos em ouro, cravejados de pérolas e pedras preciosas.

Cada deus também lhe deu a sua arma mais poderosa, o tridente de Rudra, o disco de Vishnu, o raio de Indra, kamandal de Brahma, gada de Kuber, etc. Himalaia presenteou-lhe com um feroz leão dourado. Sobre o fim do 8º e início do 9º dia de lua, Chanda e Munda vieram para lutar contra a deusa. Ela virou azul de raiva e a deusa Chamunda saltou para fora do seu terceiro olho. Esta forma é uma das mais poderosas, com 3 olhos vermelhos, preenchidos de sangue, língua e pele escura, que finalmente matou os demônios gêmeos com sua espada. Esta forma da divina deusa é adorada durante o sandhikshan do festival de Durga Puja, como sandhi / chandi puja. Finalmente, no décimo dia da lua, a deusa Durgha matou Mahishasura com o seu tridente.

A palavra Shakti significa a força sagrada feminina, e Durga reflete o aspecto guerreiro da deusa, encarnando um papel tradicionalmente masculino. Ela também é muito bela, e inicialmente Mahishasura tenta casar com ela! Outras versões incluem Annapurna e Karunamayi (karuna = bondade).

De acordo com a narrativa do Devi Mahatmya do Markandeya Purana, a forma de Durgha foi criada como uma deusa guerreira para combater um demônio. O pai do demônio, Rambha, o rei dos demônios, se apaixonou por um búfalo, e Mahish Asur (o demônio Mahish) nasceu desta união. Ele é, portanto, capaz de mudar de forma de humano a búfalo, de acordo com sua vontade (mahish significa "búfalo"). Através de intensa oração para Brahma, Mahishasur tinha a vantagem que ele não poderia ser derrotado por qualquer homem ou deus. Ele desencadeou um reinado de terror sobre a terra, céu e os mundos inferiores.

Uma vez que só uma mulher poderia matá-lo, a Santíssima Trindade Masculina desceu até o rio Ganges e rezou o mantra "Om Namo Devaye", implorando a grande deusa Devi para salvar seu domínio da ruína. Eles foram abençoados com a sua compaixão quando a deusa Durga nasceu do rio.


Referências:

1. "Durgha" Encyclopædia Britannica. 2007. Encyclopædia Britannica Online. 25 Feb. 2007 
http://www.britannica.com/ebc/article-9363243/Durga
2. "Durgha" Sanatan Society http://www.sanatansociety.org/hindu_gods_and_goddesses/durga.htm
3. Offering Flowers, Feeding Skulls: Popular Goddess Worship in West Bengal By June McDaniel p.225





Mahadevi, A deusa mãe - Manifesta-se tanto como consorte das principais divindades masculinas hindus como, de uma forma genérica, várias deusas e mulheres, que podem ser benignas e frutuosas, como Laskshmi ou Parvati, ou poderosas e destrutivas, como kali e Durga. Por toda a India há muitos templos erguidos a essas deusas.









Saraswati, a mulher de Brahma - Ela é a esposa de Brahma, o deus da criação universal e a mãe dos principais sábios, ascetas e vários deuses do universo. Ela é conhecida por sua refulgente beleza e seu corpo é branco como o leite. Também é conhecida  por outros nomes como VANI, BHARATI, GIRA, BRAHMANI, SHARADA, e VIDHATRI. Na Índia existe um rio sagrado com o nome de SARASWATI, por isso ela é conhecida como a deusa dos rios. Os sábios orientais, antes de começar qualquer leitura, sempre invocam o nome de SARASWATI para que ela conceda a perspicácia e o discernimento necessários para o aprendizado, pois dizem que a chave para os planos superiores é o conhecimento. Diz a lenda que as pessoas que buscam sabedoria devem orar para SARASWATI.


Ganesh, o deus elefante - Muito cultuado entre os deuses hindus. Filho de Shiva, com cabeça de elefante, é talvez o deus mais popular. Sábio, ponderado e bem versado nas escrituras, é invocado pelos crentes antes de qualquer empreendimento para assegurar seu êxito. Deus da inteligência e fortuna. Seu veículo, normalmente retratado, é um rato. Ganesha é conhecido também como o destruidor da vaidade, egoísmo e orgulho. Ganesh era muito devoto de sua mãe, Parvati, onde ele dizia: "Se houver mulher mais bela e encantadora do que minha mãe, traga-me para casar-se comigo". Ele era tão devoto à sua mãe que não quis casar. Mas há indícios de que ele tenha se casado com as filhas de Brahma: Buddhi (intelecto) e Siddhi (poder espiritual).






Skanda, seis cabeças, doze braços - SKANDA substituiu o deus védico Indra como principal deus hindu das batalhas. Filho de Shiva e, em alguns mitos, gerado sem mãe, só se interessa por lutas e guerras. Com seis cabeças e doze braços, comanda as suas legiões celestiais do dorso de um pavão colorido.








Parvati, a mulher de shiva - É uma deusa hindu e nominalmente a segunda consorte de Shiva. Era a filha das montanhas do Himalaia e irmã do rio Ganges. Representa a unidade de deus e deusa, do homem e da mulher. Às vezes, Parvati é considerado como a suprema Mãe Divina e todas as outras deusas são referidas como encarnações ou manifestações dela. Ela também é a mãe de Ganesha, Skanda (Kartikeya). Geralmente considerada uma deusa benigna, mas também tem aspectos temerosos como Durga, Kali, Chandi e os Mahavidyas bem como benevolente formas como Mahagauri, Shailputri e Lalita.



Kali, a negra - é a deusa da morte, uma das divindades mais cultuadas no hinduismo. Pela história, eram feitos, antigamente, para ela, sacrifícios de animais, e humanos. Mas nem por isso ela é uma deusa do mal. Ela é o equilibrio da vida e da morte, sendo, assim, a imagem da natureza. Kali é a destruidora do demônio Raktabija. Ela é também uma das formas da deusa Parvati, esposa de Shiva e irmã de Vishnu. Seus devotos são recompensados com poderes paranormais e uma morte sem dor.

Krishna, aquele que tem muitos nomes - O avatar mais importante de Vishnu, foi um deus-herói, amado em muitos de seus aspectos: como um menino travesso, como um adolescente amoroso, como um herói adulto que proferiu as grandes lições do "Bagavad Gita". Esses aspectos de Krishna tiveram origens diferentes: árias, dravídicas e talvez cristãs.

Ele tem mais de 180 nomes. Os principais são:
Adidev: O Senhor dos senhores.
Balgopal: O “Todo Atrativo”; o menino Krishna.
Chaturbhuj: O Senhor dos quatro braços.
Dayalu: Depósito de toda a compaixão.
Govinda: Aquele que agrada as vacas, a Terra e a natureza inteira.
Gyaneshwar: Senhor do Conhecimento.
Hari: O Senhor da Natureza.
Jagadisha: O Protetor de todos.
Kamalnayan: O Senhor que tem os olhos como o lótus.
Manohar: Senhor da beleza.
Murali: Senhor de toda a doçura; Senhor da flauta.
Narayana: O refúgio de todos.
Prabrahmana: A Suprema e Absoluta Verdade.
Ravilochana: Aquele cujos olhos são o Sol.
Trivikrama: Vencedor de todos os três mundos.
Upendra: Irmão de Indra.
Vishwatma: Alma do universo.
Yogi: O Mestre Supremo.






Lacshimi, Mulher de Vishnu - Mulher de Vishnu, muitas vezes representada sentada numa flor de Lótus e empunhando outra, representa a boa sorte. Seus companheiros são dois elefantes, sendo, por si mesma, uma importante deusa.









Sita, a mulher de Rama - Ela é a reencarnação de Lacshimi. Sita foi a esposa de Rama, na realidade filha da deusa Terra e surgida num lago, de dentro de uma flor de lótus. Foi encontrada pelo piedoso rei de Mitila, Janaka Maharaja, que a criou como uma filha. A narrativa purânica (ancestral) conta que o Maharaja Janaka era o guardião do famoso arco de Shiva, tão grande e pesado que era transportado por uma junta de dez bois enormes. Ela foi seduzida pelo demônio Ravana, quando acompanha seu marido, Rama no exílio na floresta. Mas permaneceu devotada ao seu marido, Rama. Além do povo ter a jugado impura, ela foi abandonada por ordem de Rama, e abrigada na floresta por um sábio, Valmiki. Depois de um tempo de tristezas, ela se entregou à terra. A cena representa o casamento de Rama e Sita.






Rama, o grande homem - Na mitologia hinduísta, ele é um avatar ou reencarnação de Vishnu. O símbolo do grande homem, filho perfeito, o perfeito marido, irmão, amigo e governante. Casou-se com Sita, e lutou contra o demônio Ravana, o mais terrível demônio do mundo. Para isso teve ajuda de Hanuman.









Hanuman, o rei dos macacos - Deus macaco no Hinduísmo. Na comunidade hindú ele é cultuado como encarnação de Shiva, e reverenciado por sua devoção a Rama. Na astrologia Hindú é dito que a meditação sobre o nome ou a figura de Hanuman afasta os malefícios trazidos por Shani (saturno). Ele é uma das encarnações de Shiva e vem ajudar Rama, uma das encarnações de Vishnu.





Fontes:

Deusas e Deuses do Hinduísmo – versão condensada - Fabio Renato Villela
Wikipédia
Dicionário prático ilustrado Lello, de 1964, de José Lello e Edgar Lello, editado por LELLO & IRMÃOS, vol. III pag. 1376. 
OS DEZENOVE LIVROS DO SRIMAD BHAGAVATAM - traduzidos DOS 18 CANTOS, primeiramente para o Inglês, por sripad Baktivedanta Swami Prabhupada, e depois para o Português.
PASSATEMPOS DO BHAGAVATAN - 
http://passatemposdobhagavatam.blogspot.com.br/


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