sexta-feira, 19 de setembro de 2014

No assombro da vida...



"Tudo o que vive é pulsação do sagrado. As aves do céu, os lírios dos campos... Até o mais insignificante grilo, no seu cricri rítmico, é uma música do Grande Mistério.

É preciso esquecer os nomes de Deus que as religiões inventaram para encontrá-lo sem nome no assombro da vida."

                                                 - Rubem Alves

Hoje quero aprofundar esse belíssimo pensamento do nosso eterno amado Rubem Alves - que cumpriu seu ciclo da vida com tamanha leveza, poesia e beleza, e nos deixou banhados em tanta luz, amor e delicadezas eternas...

Minha mais sincera gratidão por sua pura, bela e eterna presença, aqui em cada um de nós...

Tudo o que vive é pulsação do sagrado.

Vida é pulsação. Vida é inspirar, expirar, dia e noite, frio e calor, inverno e verão, vida é movimento, expressão.

Tudo o que vive vive graças ao Sagrado que o habita, graças ao mistério que escolheu fazer nele sua morada.... viver é ser templo do Espírito.

O sagrado é a pura presença, Deus, existência, totalidade... acontecendo, se revelando no pequenino, em cada batida do coração...

O sagrado se revela através da vida, e nesta revelação a realidade é sua tela, onde todas as cores, matizes, nuances se expressam e se compõe a infinita melodia da vida.. sempre nova, sempre perfeita... no instante... sempre aqui e agora....

As aves do céu, os lírios dos campos... Até o mais insignificante grilo, no seu cricri rítmico, é uma música do Grande Mistério.

Sim, o Grande Mistério bem diante dos nossos olhos, dentro de nós, onipresente, e em completa transparência, e mesmo assim, permanece um Grande Mistério. Impossível compreender, descrever, analisar, nossa mente é por demasiado pequena, limitada, míope, para alcançar o absoluto. Nos resta apenas o encantamento, o maravilhamento e a entrega plena, confiante nesta inteligência criadora, mantenedora e destruidora de tudo. Nos resta o profundo relaxamento no silêncio perene de onde tudo provém e para onde tudo retorna... silêncio original, silêncio fonte... silêncio plenitude....

As aves, os lírios, os pequeninos grilos são notas maravilhosas e únicas dessa música divina... Cada um de nós, cada ser está neste exato momento expressando em si, através de si esta Divina Sinfonia.

É preciso esquecer os nomes de Deus que as religiões inventaram para encontrá-lo sem nome no assombro da vida.

As religiões criaram uma divisão fictícia, onde nunca houve. Deus e sua criação sempre foram UM. O homem e Deus sempre foram UM. Deus enquanto vida, absoluto, totalidade sempre se fez presente em tudo e em todos. Nenhuma divisão é possível...

Verdadeiramente as religiões deveriam apontar para esta Verdade, deveriam promover a Unidade, e não criar nomes e formas diferentes para Deus; não deveriam criar mais divisões em um mundo que já sofre o bastante por crer em divisões e diferenças... imaginárias...

Quanto mais nos agarramos nas divisões, nas diferenças, sejam elas quais forem, mais iludidos estamos, mais isolados ficamos e mais e mais medo criamos para nós mesmos.... e para os outros...

O Amor é Deus. O Amor Une, desfaz as ilusões da divisão e verdadeiramente nos reconhecemos todos, mergulhados nesse assombro da Vida...

O assombro da vida é verdadeiro Amor, e nessa verdade nenhuma divisão é real... Somente o Amor é real.... E sendo Amor, nenhum nome é necessário... Só o Amor basta...

Amidha Prem

Fonte:
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