sábado, 27 de dezembro de 2014

Fantasmas do Passado



"Monstros são reais e fantasmas são reais também.
Vivem dentro de nós e, às vezes, vencem".
Stephen king

Fantasmas, segundo a lenda, são espectros ou vultos que assombram, principalmente, em lugares desabitados ou em prédios antigos onde viveram e morreram muitas pessoas. No entanto, além desta real possibilidade, existem fantasmas que também assombram indivíduos psiquicamente perturbados: são os "fantasmas de carne e osso". É destes que trataremos neste artigo.

Sem sentido pejorativo, mas figurativo, os fantasmas de carne e osso também existem. E muito mais do que imaginamos. São, geralmente, os nossos pais biológicos ou substitutos que foram responsáveis pela nossa educação.

Como são as figuras referenciais mais importantes da vida do indivíduo, elas são determinantes na forma de como lidamos com a afetividade. Pai e mãe arredios ao afeto e refratários ao carinho, criam filhos carentes e inseguros em suas relações afetivas. Pai e mãe permissivos ou excessivamente disciplinadores, criam filhos sem parâmetros ou rebeldes e violentos.

Portanto, quando os desequilíbrios psíquicos limitam o indivíduo adulto na sua interação social e profissional, comprometendo o seu crescimento integral, é porque os fantasmas de carne e osso estão agindo em seu inconsciente através de traumas do passado transformados em psicopatologias.

Neste sentido, a severidade e a negligência na educação, que são combinações geradoras do desamor, estabelecem marcas psíquicas responsáveis por níveis de sofrimento futuro, quando surgem os adultos violentos, inseguros, deprimidos, confusos ou dependentes afetivos.

A experiência psicoterapêutica nos informa que os fantasmas do passado permanecem internalizados no inconsciente, assombrando aqueles que passaram por experiências psíquicamente traumáticas nas relações parentais durante a infância.

Em muitos casos, os fantasmas de carne e osso vêm assombrando desde gerações passadas até chegarem à geração atual, que recebe o mesmo impacto psíquico - via educação - que receberam os seus pais dos avós, numa direção retroativa ao tempo que pode atingir várias gerações da mesma família.

O conhecimento dos mecanismos inconscientes que geram os desequilíbrios psíquicos, é o objetivo de quem decidiu não ser mais assombrado pelos fantasmas do passado, a começar por aqueles de carne e osso. Adquirir a percepção de momento em relação ao que deve ser alterado em seu comportamento, é a função da psicoterapia que busca no inconsciente do indivíduo, a causa do efeito transformado em dor ou sofrimento.

Quando nos sentimos bloqueados diante da vida, é momento de procurar ajuda psicoterapêutica para que possamos remover os obstáculos que interferem no fluxo saudável da caminhada vital.

Sentir-se não ser merecedor da felicidade possível no sentido das realizações pessoais e afetivas, é sinônimo de autoboicote que tem as suas origens - via sentimentos negativos - na infância. Situação que pode perdurar por tempo indeterminado, levando o indivíduo à sensação de fracasso, o que pode tornar-se uma fixação por toda a vida.

A psicoterapia atua no sentido de possibilitar o processo de "libertação" dos fantasmas do passado que assombram porque permanecem internalizados no psiquismo do indivíduo em desarmonia vital.

O autoconhecimento, além de proporcionar um melhor nível de lucidez e discernimento sobre o que devemos alterar em nós mesmos, contribui para que o perdão relacionado às figuras referenciais seja desprovido de sentimentos antagônicos, contrários a uma atitude consciente.

Quando, através do autoconhecimento, o ser inteligente encontra a saída do labirinto da inconsciência, ele desperta para a luz da consciência, que é senhor e guia de si mesmo pelos caminhos da existência.


Imagem:
"In Shadows", by Lori Digital Arts

Arte Final:
Marcelo Gonçalves Designer







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