sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mitologias Indígenas Norte-Americanas

Os índios Navajo da América do Norte acreditavam que Tsohanoai era o deus Sol. Ele assume forma humana e carrega o Sol às costas, todos os dias, através do céu. À noite, o Sol descansa, pendurado numa pega na parede ocidental da casa de Tsohanoai.

Os dois filhos de Tsohanoai, Nayenezgani (Matador de Inimigos) e Tobadzistsini (Criança de Água) viviam separados do pai, em casa da sua mãe, no extremo ocidente.

Quando se tornaram adultos, os dois decidiram procurar o seu pai e pedir-lhe ajuda para combater os espíritos maléficos que aterrorizavam e atormentavam a Humanidade.

Após muitas aventuras, eles conheceram a Mulher-Aranha, que lhes disse onde eles poderiam encontrar o deus Sol e deu-lhes duas penas mágicas para eles se manterem seguros. Finalmente, chegaram à casa de Tsohanoai, onde ele lhes forneceu setas mágicas para conseguirem derrotar os Anaye, monstros maléficos que devoravam homens.


A filosofia religiosa dos navajos é ligada a natureza e busca a harmonia de uma ligação entre os homens e todas as fases da natureza atuando juntos, e os seres pequenos, aparentemente insignificantes, podem tornar-se tão importantes quanto os grandes e possantes. Há um panteão navajo, mas não uma verdadeira hierarquia. Os grandes deuses, às vezes, são eclipsados por criaturas modestas e humildes que podem realizar aquilo que eles não conseguem.

Todos os poderes, com a possível exceção de Mulher que Muda, são igualmente bons e maus, dependendo de sua natureza intrínseca, do modo como são abordados, de seu humor e das condições do momento, e do contexto de sua atuação. A maioria das cerimônias tem por finalidade persuadir os deuses a outorgar dádivas à humanidade, banir o mal e restaurar a harmonia natural. São imagens e rituais vibrantes, que buscam estabelecer a harmonia do ser humano com as forças naturais à sua volta. É através desta interação que os xamãs evocam os poderes curativos da natureza, em ritos de purificação que incluem orações, cânticos e símbolos cristalizados em pinturas de areia e transmitidos de geração em geração. A cura dos navajos envolve todo um sistema de crença (mitologia dos navajos) do paciente, liberando energia da identificação simbólica para recriar o mundo interior. Os mitos são o alicerce flexível sobre o qual os cantos de cura se assentam. Cada canto tem um mito associado, que descreve sua origem e aventuras do herói ou heroína que buscam obter dos deuses aquele canto.

Às vezes, as orações, os cânticos e as pinturas com areia, além da ação dos rituais, referem-se ao mito, mas não existe correspondência exclusiva. O mito não pode ser reconstituído a partir da cerimônia. Não é sequer exigido do xamã que ele conheça o mito do canto que dirige, embora deva conhecer detalhadamente tudo mais. É, porém, notável se ele dominar esse conhecimento.

Os rituais navajos organizam-se em torno do culto ao Sol. Em razão da ideia navajo de concepção, a crença de que esta é devida a uma união da luz (calor) com a água (sêmem, umidade), o Sol, como símbolo de luz, calor e quentura, domina, de certa maneira todos os outros espíritos e deidades. Uma vez que todas as coisas aparecem aos pares - onde um domina e outro é dominado, um é mais forte e outro mais fraco - Mulher que Muda é o equilibrador do par. Seu poder talvez seja tão grande quanto o do Sol, mas qualitativamente diferente. Mulher que Muda (Istsá Natlehi) é o grande símbolo da terra com todas as suas variações sazonais, o poder da mulher de renovar a vida, o amor materno. Ela parece ter uma boa vontade consistente para com a humanidade.

Assim, o Sol e a Mulher que Muda formam o eixo central em torno do qual orbitam todos os outros poderes e seres. São a fonte fundamental de saúde e harmonia, têm o poder de fortalecer e rejuvenescer. De sua união vieram os Gêmeos Guerreiros, o Matador de Monstros (Naye Nezgáni) e o Filho da Água (Tobadsistsíni), que fazem árdua viagem para visitar seu Pai Sol e ganhar dele o poder para derrotar os monstros e libertar o povo (mitologia do Canto da Noite, que serve para libertar o paciente de ataques obsessivos). Ele e seus pais, Mulher que Muda e o Sol são a "Sagrada Família" da teologia navajo. Mulher que Muda e o Sol ligam-se, também, cada qual, a um ser sobrenatural mais fraco, do mesmo sexo, que complementa ou amplia sua natureza: a Lua (Kléhanoi) é o irmão mais fraco do sol, e a Mulher Concha Branca (Yolkáiestan) a irmã mais fraca de Mulher que Muda.


A Mulher Concha Branca é um pouco mais dúbia e não confiável do que sua irmã. Esta "Sagrada Família" foi um desenvolvimento posterior, dentro da história mítica dos navajos. Nos mundos inferiores dos mitos de origem, o Primeiro Homem e a Primeira Mulher eram os protagonistas e viviam às voltas com bruxarias e o mal. Coiote, Begochidi, o Deus Negro (ou Deus do Fogo), a Mulher Sal, os insetos e os outros animais estavam lá desde o princípio e tiveram papéis importantes na longa ascensão até a luz e a consciência. Além das figuras universais, todo canto parece ter um mini-panteão próprio. O Canto da Chuva, de Pedra que Fala, do Povo Trovão, em que o Trovão Branco e o Trovão Negro são deidades de destaque. O Canto da Grande Estrela introduz o Povo Estrela, para quem a Grande Estrela é o grande sábio.

No Canto da Noite existem o povos sagrados especiais, geralmente chamados Yei, que na noite final são personificados pelos dançarinos que usam máscaras azuis e colares de sempre-vivas, e cantam numa voz de falsete, sinistra. Os Yei são conduzidos por Deus que Fala (Hastyéyalti), que é como um mentor severo para os heróis do canto, guiando-os e dirigindo-os em suas aventuras, e salvando-os de todo tipo de revés. Geralmente é identificado como o leste e os sol nascente. Seu grito Wu, hu hu hu é parecido com o chamado da manhã dos rituais Pueblo. Geralmente faz parte com Deus Lar, como alguns preferem chamá-lo, que parece simbolizar a domesticidade, a paz, a fertilidade, e está associado com o oeste e o sol poente. Nesse sentido, são ambos parte do complexo simbólico solar.

O mundo navajo é repleto de divindades. Toda força natural, cada elemento geográfico, toda planta, animal ou fenômeno meteorológico tem seu poder sobrenatural peculiar e pode ser representado por uma imagem personificada nas pinturas em areia. E ainda existe Begochidi! Ele é diferente de todos os outros e encarna a essência do paradoxo. Por um lado é filho do Sol, associado à luz e ao fogo, é uma deidade solar, criador da vida, que teve "relação sexual com tudo que existe no mundo". Neste aspecto benigno, é o patrono dos animais domésticos e de uso: é para ele que se reza pedindo que o cavalo seja muito bom. É retratado como figura solar, com cabelo louro ou ruivo e olhos azuis. Por outro lado, porém, Begochidi é um grande malfeitor e jogador. Ele pode mudar, se o desejar, e assumir qualquer forma de arco-íris, areia, água, ventos, insetos, etc. Desmoraliza os outros deuses, mandando-lhes nuvens de insetos para mordê-los sem piedade, até que concordem com suas exigências. Esgueira-se por trás das meninas e belisca-lhes os seios gritando "Bego, bego" (diz-se que seu nome significa "Aquele que agarra os seios"). Quando um caçador está fazendo mira, ele agarra seus testículos e estraga o tiro. Faz a mesma coisa quando um homem e uma mulher estão tendo relação sexual. Às vezes, Begochidi aparece como uma minhoca ou inseto que rasteja no pó e representa alguma coisa obscena. Favorece o sexo e a procriação, mas também é patrono dos travestis e veste-se como mulher.

No mito do Caminho da Traça, Begochidi vive com o Povo Borboleta como travesti. Está sempre pondo suas mãos nas virilhas dessas pessoas e dizendo "Bego, bego". Ele não deixa que se casem enquanto estiver cuidando delas. Um dia, quando estava afastado, praticam incesto entre irmãos, com consequências desastrosas. Todos ficam com a "loucura da traça" e se atiram ao fogo, numa investida enlouquecida, e precisam ser separados à força. Finalmente é encontrada a cura, com uso de medicamentos preparados à base de um litro de essência de coiote, texugo, raposa azul ou urso. Quando esse medicamento é ministrado, o irmão e a irmã sentam-se de costas um para o outro, e saem borboletas de suas bocas, que se desvanecem no ar. Quando se busca um paralelo para a natureza de Begochidi, pensa-se logo em Mercúrio, tão necessário ao trabalho dos alquimistas. Mercúrio pode ser associado com o fogo, "o fogo universal e cintilante da luz da natureza, que contém em si o espírito celestial". Poderia ser uma criatura também lasciva e, eventualmente, foi representado em coabitação contínua. Num texto Rosa Cruz, sua natureza dual é demostrada primeiro na coabitação, depois na fusão ou mescla dos lados masculino e feminino, associado ao sol e a lua. Como diz Jung: "Ele é um demônio, um psicopompo redentor, e um traquinas esquivo, assim como reflexo de Deus na natureza física".

Assim, tanto Mercúrio como Begochidi combinam o mais baixo e o mais elevado, o traquinas lascivo e a unidade mística com Deus, a ligação do sol com a lua, uma sexualidade desvairada e a transcendência sexual. As duas dimensões podem tanto ajudar como impedir, dependendo de como foram abordadas. Begochidi é um símbolo de reconciliação que contém o bem e o mau, o alto e o baixo, o puro e o impuro, o másculo e o afeminado, e, assim, é um dos conceitos intuitivos mais audaciosos da filosofia religiosa nativa americana, uma engenhosa tentativa de expressar a natureza essencialmente paradoxal do homem, na imagem de um Deus.

Fonte: Terra Mística – http://www.terramistica.com.br/


A Mitologia Navajo é um sistema de crenças que é extremamente rica e expressiva, bem como complexo, com muitos contos, baseada no reconhecimento de que todas as histórias devem encontrar um lugar dentro de várias épocas importantes da história sagrada, uma história que aconteceu "no início". As histórias são passadas de geração em geração por via oral e fornecem a base da vida e pensamento Navajo.

A história da criação Navajo descreve o aparecimento pré-histórico dos navajos e está centrado na zona conhecida como o Dinétah, a terra tradicional do povo Navajo. Este mito da criação é a base para o modo de vida tradicional Navajo. O esquema básico de Diné Bahane começa com a Diyin Niłchi (Holy Wind - Vento Sagrado) sendo criado, a névoa de luzes, que surgiu através da escuridão para animar e trazer propósito à miríade Diyin Dineé (Povo Santo), sobrenatural e sagrado nos três diferentes mundos inferiores. Todas essas coisas foram criadas espiritualmente em um tempo antes da terra existir, quando só havia o aspecto espiritual do ser, não existindo, ainda, o aspecto físico dos seres humanos.

O primeiro mundo era pequeno e centrado em uma ilha flutuante no meio de quatro mares. Os habitantes do primeiro mundo foram Diyin Dineé, Coyote os seres névoa e várias pessoas inseto. Os seres sobrenaturais Primeira Mulher e Primeiro Homem começam a existir nesse momento e se encontram pela primeira vez, depois de verem o fogo um do outro. Os vários seres começaram a brigar uns com os outros e partem, voando, por uma abertura ao leste, para o segundo mundo, Ni Hodootłizh, que era habitado por vários mamíferos de cor azul-cinzento e diversos pássaros, inclusive andorinhas azuis. Os seres do primeiro mundo ofenderam o Chefe Andorinha (Táshchózhii) e foram convidados a partir. O Primeiro Homem criou alguns artefatos para que as pessoas pudessem caminhar até o próximo mundo, através de uma abertura ao sul. No terceiro mundo, Ni Hałtsooí, havia dois rios formando uma cruz e as Montanhas Sagradas, mas ainda não havia sol, e era habitada por pessoas animais. Dessa vez, não foi a discórdia entre as pessoas que os expulsou dali, mas uma grande inundação causada por Tééhoołtsódii quando Coyote roubou seu filho. Quando chegaram ao quarto mundo, Hodisxǫs Ni,eles o encontram coberto de água onde viviam monstros naayéé. As Montanhas Sagradas são, então, recriadas com solo levado da montanha original, do segundo mundo. O Primeiro Homem, a Primeira Mulher e o Povo Sagrado criaram o Sol, a Lua, as estações e as estrelas. Nesse momento surge a verdadeira morte, quando Coyote joga uma pedra no lago e declara que se a pedra afundasse, todos voltariam para o mundo anterior.

O primeiro ser humano nascido no Quarto Mundo é Asdząą Nádleehé que, por sua vez dá à luz os gêmeos heróis chamados Naayéé Neizghání e Tóbájíshchíní.

Os gêmeos têm muitas aventuras em que ajudam a livrar o mundo de vários monstros. Vários lotes dos humanos modernos foram criados uma série de vezes no Quarto Mundo e o Dineé Diyin lhes deu cerimônias que ainda são praticados hoje.

Hogan



É a habitação tradicional Navajo, considerada sagrada pelos que praticam a religião navajo, originalmente redonda e em forma de cone; atualmente são quadradas, com a porta voltada para o leste, saudando o sol nascente, para trazer prosperidade e fortuna.


Quatro Montanhas Sagradas

A religião Navajo difere de acordo com a área geográfica específica onde é praticada.

Os navajos acreditam que foram instruídos pelo Povo Sagrado para nunca abandonar as terras conhecidas como Dinétah (a pátria Navajo tradicional), localizadas entre o Colorado, Novo México e Arizona. Essas montanhas servem de lar para os deuses. Cada montanha sagrada em seu ponto cardeal tem uma longa lista de atributos simbólicos, dos quais a cor é o mais proeminente.

Sis Najini é a montanha do leste. Tem sido diversamente identificada como Blanca Peak, no Colorado, Pelado Peak, no Novo México e por vários outros nomes. Geralmente é representada em branco, embora possa variar para determinadas cerimônias. 'coberta de aurora branca e atada à terra pelos raios. Em seu pico estão as jóias simbólicas da concha branca e um cinto de nuvens escuras; o milho branco pintado é sua planta e o pombo, sua ave. Sua voz é como trovão na boca de Jovem Águia, e é movida pelo Vento Manchado. Ali vivem Menino e Menina Concha Branca, Menino e Menina Alvorada e Menino e Menina Cristal de Rocha. É conhecida pelos raios brancos, pelas nuvens escuras, pela chuva masculina e pelo milho branco. Deus Que Fala é sua deidade. A forma interna desta montanha é descrita no Caminho das Bênçãos como a Linda, vestida toda com conchas brancas e olhando para o cantador, a quem chama com uma voz maviosa. Canções semelhantes são entoadas para cada uma das outras montanhas em suas colocações cardeais e para forma interna que lhes dá poder.

Tso Dzil, a Montanha Língua, é a montanha sagrada do Sul. Sempre identificada com o Monte Taylor, é representada pela cor azul, e é associada com o meio-dia e o calor do sol. É coberta pelo céu azul e atada à terra por uma grande faca de pedra. Em seu pico estão as jóias simbólicas da turquesa; o milho azul é sua planta e o azulão sua ave. Move-a o Vento Azul e nela vivem Menino e Menina Turquesa. É conhecida por sua névoa escura, a chuva feminina e animais selvagens. Deus Negro é sua deidade tutelar. A forma interna dessa montanha é descrita como a Linda vestida em turquesa.

Doko'o'slid é a Montanha Brilhante no Topo, a oeste, sempre identificada com o Monte Humphreys, na Serra de São Francisco. É representada pela cor amarela, e é coberta pela luz amarela do entardecer, atada à terra por um raio de sol. Em seu pico estão as jóias simbólicas do abalone; o gorjeador amarelo é sua ave o milho amarelo, sua planta. Ali vivem Menino Milho Branco e Menina Milho Amarelo, Menino Luz da Tarde e Menina Abalone. É conhecida por suas nuvens escuras, pela chuva masculina, pelo milho e pelos animais selvagens. Deus Que Chama é sua deidade correlata. A forma interna dessa montanha é descrita como a Linda vestida de abalone.

Dibe Ntsa é a sagrada Grande Montanha Carneiro, ao norte. Sua identidade é incerta, alguns dizem que é o Pico Hesperus, no Colorado. É representada pela cor preta e é coberta pela trevas e atada à terra por um arco-íris. Em seu cume estão as jóias simbólicas de âmbar negro. O melro é sua ave e o milho variado, sua planta. Nela vivem Menino Pólen e Menino Besouro, e Menino e Menina Trevas. É conhecida por sua névoa escura e por todos os tipos de vegetação e de animais, incluindo as espécies raras de caça. Matador de Monstros é sua deidade associada e sua forma interna é descrita vestindo âmbar negro. Essas quatro montanhas não são os únicos pontos geográficos demarcatórios. A reserva é pontilhada com muitos outros, dotados de poderosa associações mitológicas.

O centro da reserva é geralmente concebido como Montanha-Em-Torno-Da-Qual-Foi-Feita-A-Mudança, identificada ou como a Mesa Huerfano ou como o Outeiro Governador (Spruce Hill). Esse foi o local de nascimento e primeiro lar de Mulher Que Muda. Mais tarde, ela se mudou para uma ilha na costa do Pacífico. Seus filhos, os Gêmeos Guerreiros, moram na Montanha Navajo, e uma rocha alta e esquia no cânion de Chelly é o lar de Mulher Aranha. Lá estão também as famosas ruínas da Casa Branca onde transcorreu a primeira grande execução do Canto da Noite.

Até os monstros têm seus marcos de terra: um fluxo de lava perto de McCarty está associado com o sangue derramado pelo Grande Monstro, e o Monstro Penhasco teria supostamente se tornado a Mesa Navio de Pedra, depois de ter sido morto pelos Gêmeos Guerreiros.

A confluência dos rios Pine e San Juan é as vezes concebida como o local em que "as águas se cruzam", mais acima no curso de San Juan encontra-se a mítica localização do lago dos Troncos Rodopiantes. O local do Aparecimento não é mais possível de ser demarcado, mas supõe-se que esteja em algum ponto das Montanhas do Colorado.

Existem muitos outros exemplos. As jornadas dos heróis e heroínas estão repletas de nomes e locais identificáveis, e mapas elaborados têm sido desenhados para refazer seus percursos pelas montanhas e cânions do território navajo.

Todo esse simbolismo tem um propósito definido: vincular os eventos míticos à realidade física, da mesma forma como fazem as preces quando começam com lugares conhecidos e aos poucos vão passando para os míticos. Isso permite à psique fixar-se em imagens bem conhecidas, como as montanhas, os rios, os cânions familiares, e depois gradualmente deslocar-se mais além, entrando em um contexto mítico interno.

Não só a geografia como também as estações do ano em sua sucessão fazem parte do grande círculo, que não é estático e sim em constante movimento rítmico.

Em seu "Mito da Criação" disse Hosteen Klah: "Fizeram o sol a partir do fogo, com um arco-íris em volta, e puseram o Homem Turquesa dentro dele, como seu espírito. Puseram o outono e o Inverno no Oeste e no Norte, e a Primavera e o Verão no Sul e no Leste. O monte de Outubro foi reivindicado por Coiote. Ele é metade verão e metade inverno, é chamado de Mês Que Muda. Depois, todos os espíritos foram para os lugares aos quais pertenciam, e criaram o Sol e a Lua, as Estrelas e os Ventos. O Deus Fogo colocou a Estrela do Norte, e os outros Deuses colocaram outras constelações, as mulheres colocaram a Via Láctea e as outras estrelas... Colocaram os 48 ciclones embaixo das bordas do mundo, nos quatro pontos cardeais, para segurá-lo no lugar, e mandaram outros ventos para segurar o céu e as estrelas. Begochidi pegou então os Ethkay-nah-ashi, os misteriosos transmissores de vida, e os aplicou a toda a criação e tudo tornou vida e saiu andando em diferentes velocidades.

O drama mítico dos navajos é encenado numa forma menor, mas muito mais intensa, no microcosmo das pinturas em areia. Eliade diz a respeito delas: "A cerimônia (navajo) também inclui a execução de complexas pinturas em areia, que simbolizam os vários estágios da Criação e a história mítica dos deuses, dos ancestrais e da humanidade. Esses desenhos (que estranhamente lembram a mandala indo-tibetana) reencenam sucessivamente os eventos que aconteceram nos tempos míticos.

Ao ouvir o mito cosmogônico e, então, os mitos da origem, e ao contemplar as pinturas em areia, o paciente é projetado para fora do tempo profano e ingressa na plenitude do tempo primordial; ele é levado "de volta" a origem do Mundo e, nessa medida, testemunha a cosmogonia". É de fato notável como ele observa, que um processo com características tão similares deva ser vivido pelos tibetanos. Estes realizam quatro grandes desenhos quadrados, com areia, no chão do templo, da mesma forma que os navajos fazem no hogan.

Os desenhos destes últimos também são orientados pelos quatro pontos cardeais, e estabelecem um relacionamento, em torno do centro da mandala, envolvendo os poderes que governam cada um dos pontos. As pinturas tibetanas são geralmente ainda mais complexas do que as dos navajos, e levam muito tempo, semanas às vezes, para serem concluídas. São realizadas para determinados procedimentos iniciáticos, sendo destruídas e refeitas sempre que a cerimônia é realizada. Essas mandalas tibetanas provavelmente não são usadas para cura, mas tanto elas como as navajos devem promover importantes transformações nos participantes.

As pinturas navajos em areia são também semelhantes a alguns códigos pré-colombianos no México. Um destes, analisado por C. A. Burland, era composto por peles de couro esbranquiçadas, como algumas pinturas navajos. A orientação da pintura pelos quatro pontos cardeais; o aparecimento das quatro plantas sagradas; e uso de simbolismo com cores - todos esses elementos remetem às mandalas navajos.

Entretanto, a finalidade principal das pinturas navajos em areia não é orientar o paciente no cosmo navajo (macro ou micro), nem comemorar sua história. É identificá-lo com as imagens de poder que estão representadas nas pinturas. Pela identificação, um símbolo que serve de representante de um certo poder é esse poder. Por isso, entender o símbolo em suas várias significações é entender o poder e as técnicas para invocá-lo. Toda pintura em areia é um padrão de energia psíquica. A pintura focaliza o poder, e o curandeiro transfere-o para o paciente através do meio físico da areia. O paciente só não faz uso do poder das figuras que estão na pintura: ele se torna esse poder.

Quais são as imagens encontradas nessas pinturas mandálicas?

Na sua maioria, são personagens sobrenaturais que representam as forças do mundo natural. Em muitos casos, as pinturas em areia consistem principalmente em quatro Pessoas Sagradas em pé e, em fila. Em outros, as figuras podem ser multiplicadas várias vezes - sempre em múltiplos de quatro - para indicar o poder aumentando. O mais comum é as Pessoas Sagradas estarem dispostas em forma verdadeiramente mandálica (circular).

Uma importante referência com o Local do Aparecimento, um lago profundo, uma fogueira no centro, o lar dos deuses, ou o herói principal do canto, ocupa o centro da pintura. Em torno desse ponto central, os Poderes Sagrados a serem convocados são colocados nas direções cardeais: Norte, Sul, Leste e Oeste. Esses Poderes podem ser o Povo Vento, o Povo Estrela, o Povo Cáctus, o Povo Ciclope, o Povo Búfalo, as Aves Trovões, ou o Povo Serpente. No nordeste, noroeste, sudeste e sudoeste estão os seres secundários. Geralmente, estes são quatro plantas sagradas - milho, feijão, tabaco e abóbora - que originalmente vieram até os navajos dos vales do México.

Em torno da pintura costuma existir uma pintura de proteção, como a do Guardião do Arco-Íris. Sempre existe uma abertura para o Leste, com dois pequenos guardas ali estacionados para proteger a entrada. Estes podem ser duas serpentes, dois ursos, dois insetos, ou outras criaturas pequenas. As montanhas sagradas, representadas por círculos nas cores tradicionais, são colocadas às vezes do lado de fora da área principal, circundando a pintura nas quatro direções. Em algumas delas, montículos reais de terra ou potes de cerâmica emborcados são usados para representar as montanhas, e tigelas com água tornam-se os lagos sagrados. Existem numerosas variações, e em qualquer imagem uma ou mais dessas qualidades típicas podem não estar presentes.

Às vezes, as pinturas comemoram um episódio na história do herói do canto, ou a peregrinação histórica dos ancestrais em seu caminho rumo ao alto. Isto é visto nas pinturas em areia sobre a inundação e sobre o roubo do fogo por Coiote. As pinturas em areia do Conto das Contas e dos Dois-Que-Vieram-Ter-Com-Seu-Pai ilustram o mito numa série de imagens intimamente relacionadas.

As pinturas mais simples são as que mostram um plano esquematizado de solo para um rito cerimonial. Indicam por meio de pegadas e outros recursos, onde o paciente deve se posicionar ou sentar, e onde os homens representando os sobrenaturais ficarão e se movimentarão durante o ritual. Eles podem indicar um altar ou lugar especial onde determinada ação cerimonial será realizada.

Fontes: http://www.espiritualismo.info/
              http://en.wikipedia.org/
                 e http://www.terramistica.com.br/

Mitologia indígena Norte-Americana

A mitologia indígena norte-americana é riquíssima na simbologia animal. De acordo com as tribos do sudoeste, a doença é devida à presença de substância maligna que, na maioria dos casos, é introduzida no corpo do doente por um espírito animal ofendido. Os índios americanos acreditam que os animais foram os primeiros a caminhar pela terra, e que cada um tem sua medicina específica para ajudar o homem. Uma das formas nativas para invocar o animal é adornar-se com penas e peles, pintando seus rostos para lembrar o animal e movimentando-se como eles. Americanos nativos imitando animais em dança ritual estabelecem elos com o reino do espírito. Crenças em reinos espirituais da vida e nas mais variedades de manifestações é universal. Frequentemente muitas sociedades creem que guias espirituais sempre usam animais ou imagens animais para comunicarem seus propósitos e regras aos humanos.

As penas do Cachimbo Sagrado são as da Águia Dourada. Suas penas simbolizam o Sol Espiritual.

Um mito iroquês, sobre a origem das doenças e dos remédios, conta que antigamente os animais falavam e viviam em harmonia com os homens, mas os homens reproduziram-se tão depressa que os animais se viram forçados a morar nas florestas e em lugares desertos, e assim a amizade entre homens e animais foi sendo esquecida.

Quando os homens inventaram as armas e caçaram animais para alimentação e peles, a distancia entre as espécies aumentaram ainda mais. Os animais pensaram então em reagir e resolveram declarar guerra aos homens. Eles se reuniram em tribos, por espécie, desde animais mamíferos até aves, répteis, peixes e insetos. Cada uma dessas tribos decidiu causar algum tipo de doença aos homens, assombrá-los nos sonhos, etc. A tribo dos Ursos, com o chefe Velho Urso Branco, os Veados com o chefe Pequeno Veado, os Répteis, os Peixes e por fim os Pássaros, os Insetos e outros pequenos animais. Cada tribo decidiu causar um tipo de doença nos homens: os Veados causariam reumatismo, Répteis e Peixes assombrariam os homens durante seus sonhos, enlouquecendo-os etc.

Mas as plantas, que eram amigas dos homens, ouvindo os planos dos animais, decidiram ajudar os homens: cada árvore, arbusto, relva ou mesmo erva decidiu criar um remédio para algumas das doenças referidas. Quando o médico tinha dúvidas no que dizia respeito ao tratamento de um paciente, o espírito da planta sugeria um remédio adequado, foi assim que nasceu a medicina.

Fontes:

Wikipedia,
site http://www.xamanismo.com.br/
     e http://www.espiritualismo.info/ 

ÍNDIOS HOPIS

Para os Índios Hopis, povo que vive nas regiões áridas do Arizona e do Novo México (“hopi” na língua deles significa “pacífico”), um personagem mitológico de nome Kokopelli está associado à fertilidade e à germinação. Os outros povos Indígenas o conhecem como o “tocador corcunda de flauta”. Sua silhueta única foi pintada, durante os séculos, em numerosas pedras e cerâmicas das duas Américas. Para muitos, a corcunda de suas costas é um saco de sementes que ele semeia a todos os ventos. Quanto à sua flauta, ela é a fonte do espírito insuflado em cada semente.

Face às forças de destruição que se desencadeiam nesse momento no planeta, o símbolo de Kokopelli representa a esperança de uma Terra novamente fértil e de Sementes portadoras de Vida. A cabeça de Kokopelli é coberta de antenas cósmicas que lhe permitem captar o canto das estrelas a fim de insuflá-lo às Sementes de Vida, Sementes de Estrelas, que fecundam a Terra-Mãe.

Profecia do Fim do Mundo:


Para os Hopi, o grande Criador do planeta Terra é uma entidade divina que veio das estrelas, o que remete à famosa teoria de que a raça humana é o produto de uma colonização extraterrestre. Sobre o Fim do Mundo, a tradição Hopi é, à evidência, estreitamente aparentada com a Profecia Maia. Entre os Hopi, 2011 é a grande data estabelecida para os acontecimentos que precipitarão a destruição da atual Civilização. Os Sinais anunciadores do grande final previsto para 2011 já estariam ocorrendo há algum tempo e são igualmente parecidos com todos aqueles citados em outras profecias, a grande maioria decorrentes dos aspectos negativos do notável avanço tecnológico alcançado pela Civilização.

O indicativo mais importante e de consequências mais notáveis é o mesmo que aparece em outras previsões: o aparecimento nos céus de uma 'estrela destruidora' que será precedida por astros menores: no caso, uma grande estrela azul, a qual chamam Saquasohuh Kachina, que virá antes de uma maior, uma estrela roxa ou violeta, será definitiva para o extermínio da atual raça humana, da qual restarão uns poucos sobreviventes, sementes do Quinto Mundo.

Mais uma vez, as tradições se repetem: também os Hopi acreditam na emergência e extinção cíclica dos Homens, que se renovam em raças cada vez mais evoluídas, rumo a uma purificação espiritual, que chegará ao termo ideal na Sétima Raça ou Sétimo Mundo. A idéia nada tem de original e tem sido repetida à exaustão sendo que a Doutrina Cosmogônica e a Antropogênese teosófica apresenta uma teoria completa sobre o assunto na monumental obra de Helena Petrovna Blavatsky, A Doutrina Secreta.


Fonte: Wikipedia,
http://www.espiritualismo.info/


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