Os "gordinhos" de Ontem e de Hoje
A arte é, sem dúvida, um reflexo sociológico de determinada região, num determinado tempo, em que se perpetua toda uma tendência de vida quanto a seus hábitos e costumes.
A pintura e a escultura, que têm a possibilidade de antropomofisar as idéias quanto ao corpo e os seus valores, nos contam com detalhes determinados aspectos do Homem em sociedade, com a mesma força e poesia do mais capaz dos cronistas de época.
Este aspecto da arte nos vem à mente quando visitamos as exposições de quadros pintados pelos grandes mestres da pintura, expostos juntos no Louvre, no Prado, ou no MAM, quando observamos a nítida tendência, desde o século XV até o final do século XIX, aproximadamente, para o volume do corpo das figuras humanas, principalmente das mulheres.
A noção de beleza feminina, em qualquer de suas manifestações – quer lasciva ou santificada – tinha no arredondamento de suas formas o seu ápice e a preferência da época. Mulher magra era mulher doente, ou carente, ou ambas; enquanto que as “fartas de carne” representavam volúpia ou saúde, e de preferência as duas, na mesma mulher.