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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Orientalismo IV - Budismo - parte II



O QUE É O BUDISMO?

ENTREVISTA:

Alaya, para responder as perguntas deste tema. Ela estuda o budismo há mais de 8 anos e também pratica meditação; por seu pai ser coordenador do centro budista LamRim, em Brasília e autor de livros sobre budismo, teve a oportunidade do contato com lamas desde criança.

1ª verdade: 

Estar vivo é estar sujeito ao sofrimento. Implica em sofrer.

A insatisfação e a frustração nos acompanham toda vida. À saúde segue-se a doença, à juventude segue-se a velhice, à vida segue-se a morte. Estar unido ao que se detesta é sofrimento. Separar-se do que se ama é sofrimento. Não se obter o que se deseja é sofrimento
Então o Buda vai diferenciar 3 tipos de sofrimento:

1 - o sofrimento físico, sofrimento do parto, de cair, de ficar doente, morrer

2 - sofrimento psicológico, que é causado pela impermanência associada a um apego. Isso vai desde nossas emoções mais sutis ao fato de quando vivenciamos algo bom e ficamos tentando repetir esse momento, mas não nos damos conta que cada momento é único, e assim nos frustramos. Quando nos apegamos a alguém e desejamos que esse alguém esteja sempre conosco, mas ao nos darmos conta que as coisas são impermanentes, sofremos.

3 - o terceiro tipo de sofrimento é o mais difícil de explicar. Digamos que é um 'sofrimento da alma'. É um sofrimento decorrente de nossa condição de ignorância da realidade, da verdade última e de nossa própria natureza. Vemos nosso 'eu' como algo independente, auto-existente, inerente, separado... e dividimos as outras pessoas e as coisas do mundo e essa falta de percepção da unicidade entre todos os seres e todas as coisas, da interdependência, de nos acharmos separados, gera um sofrimento residual no 'SER' da pessoa.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Orientalismo IV - Budismo - parte I

Anatta - A Doutrina do "não-eu"

de Walpola Rahula
do livro "Lo que el Buddha enseño"


O que sugerem, geralmente, as palavras Alma, Eu, e Ego, ou para empregar a palavra sânscrita Âtma, é que existe no homem uma entidade permanente, eterna e absoluta, que é uma substância imutável por trás do mundo fenomenal em mudança.

Segundo algumas religiões, cada indivíduo tem uma alma separada que é criada por Deus e que finalmente, após a morte, vive eternamente no céu ou no inferno, seu destino depende do seu Criador. Para outras, ela atravessa muitas vidas até que seja purificada completamente e se una finalmente a Deus ou Brahman, a Alma Universal de onde ela emana originalmente. Essa Alma ou Eu no homem é o que pensa os pensamentos, o que sente as sensações, o que recebe as recompensas e punições por todas as ações boas ou más.

Uma tal concepção é chamada Ideia do Eu. O Budismo se situa, único, na história do pensamento humano ao negar a existência de uma tal Alma, de um Eu ou do Atma. Segundo os ensinamentos de Budha, a idéia do Eu é uma crença falsa e imaginária, que não corresponde a nada na realidade, e ela é a causa de pensamentos perigosos de "meu" e "minha", dos desejos egoístas e insaciáveis, de apego, da raiva, da maldade, dos conceitos de orgulho, do egoísmo e outras sujeiras, impurezas e problemas. Ela é a fonte de todos os problemas do mundo, desde os conflitos pessoais até a guerra entre as nações. Em resumo, podemos atribuir a esse ponto de vista falso todo o mal do mundo.
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